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A previsão que Marx não fez

PhotobucketUma coisa que me surpreende bastante nesta era da informação ao alcance de todos é a preguiça que muitas pessoas têm de checar as fontes. Não é muito difícil para quem já desenvolveu o hábito da boa pesquisa desconfiar da ausência de referências, quanto mais que ultimamente se tem informação para todos os gostos na rede mundial de computadores. Isso exige até um pouco de malícia daqueles que pretendem se atualizar por este meio.

Mesmo as fontes mais confiáveis estão sujeitas a equívocos. Assim sempre é recomendável que antes de divulgarmos uma informação, por mais verossímil que seja – ou queiramos que seja -, dar uma checada em pelo menos mais uma ou duas fontes.

Isso está ocorrendo agora com a seguinte citação, atribuída a Karl Marx em O Capital:

Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado.

A atualidade da idéia é, de fato, impressionante. A citação me foi repassada por pelo menos dois colegas, magistrados e acadêmicos, no entanto sem fazer maiores referências além da obra em que teria sido publicada, O Capital, como por exemplo à página, edição, editora ou outros elementos que facilitassem, no caso de pretender contextualizá-la. Aliás é interessante destacar que O Capital é composto por diversos volumes, que, contudo, igualmente não se encontravam referidos na citação.

Não me dando por vencido resolvi pesquisar na Internet com o intuito de poder eu próprio dar estas referências. e contextualizar a frase e, eventualmente, identificar algumas outras dicas acerca do que nos espera diante desta grava crise, brilhantemente prevista pelo célebre pensador.  Claro que não me impressionou que algumas páginas de confessada ideolgia liberal rejeitassem, de pronto, a previsão, como por exemplo a do Instituto Liberdade, que reproduz artigo de Rodrigo Constantino.

A grande verdade, contudo, é que não encontrei em nenhuma fonte que se considere confiável a confirmação de que tenha sido escrita tal previsão n’O Capital. Aliás a pesquisa literal do texto apenas apresenta referências modernas, datadas a partir de fevereiro de 2009, o que demonstra que o texto surgiu recém, como um evangelho apócrifo, tendo passado de imediato à adoração, com pouquíssima reflexão, o que até permite se aceitar que o socialismo se pregue com dogmas, como as milenares religiões.

Nota: não sou liberal, nem socialista, mas muito antes pelo contrário. Gosto da verdade científica.

Quem quiser ler citações mais confiáveis de Karl Marx pode consultar o verbete correspondente no Wikiquote.

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Direita ou esquerda?

O Pedro Dória escreveu hoje sobre a perplexidade que gera no país a dicotomia PSDB x PT, como se fosse um debate direita x esquerda, quando, na verdade, ambos os partidos teriam as mesmas origens, se enquadrando possivelmente sob uma mesma bandeira, acaso tivéssemos um bipartidarismo como o estadunidense.

É verdade, ocorre, contudo que a administração FHC se destacou pela até um certo ponto desmedida privatização, inspirada na cartilha do Fundo Monetário Internacional, fortemente inspirada no pensamento Liberal, por conseguinte de direita.

Lula na medida em que manteve muito da administração anterior (até para não “desandar a maionese”, o que quase aconteceu nas vésperas de sua eleição) acabou sendo considerado mais para a direita, embora para os conservadores de plantão, apenas pela sua origem sindical, sempre foi combatido como se fosse um extremo socialista. Aliás algumas das medidas consideraras por Dória como sendo “de esquerda”, como os programas de renda mínima, estão na doutrina de pensadores liberais, como Hayek, um tipo de papa (ou santo) do Liberalismo.

A verdade é que no nosso país, infelizmente, muitas coisas não funcionam como nos modelos alienígenas, e acabamos tendo, como dizia Brizola, um socialismo moreno, e direita e esquerda também “adulteradas” ou, como se diz em gastronomia, em conformidade com o paladar da região.

Em verdade o grande problema das esquerdas brasileiras, e da verdadeira direita, é a falta de aglutinação decorrente do pluripartidarismo, no qual meras tendências dentro de tal ou qual partido acabaram se tornando partidos, um pouco por causa do “fundo partidário”, outro pouco por causa do “estrelismo” de personalidades, no que perde, como sempre, o eleitor.

Exemplo disso foi a expulsão dos radicais do PT e a fundação do PSOL.

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G7 pode estatizar bancos

Ouvi agora há pouco na Globonews: se as ações dos bancos do G7 continuarem caindo nos próximos dias mais 20% a solução será a sua estatização.

Pera um pouquinho! Todo o sistema econômico dos sete países mais ricos do mundo nas mãos do Estado? Isso é Socialismo!

E decorrente da própria ambição dos capitalistas… nem Marx em seu maior delírio imaginou isso! Isso só pode ser obra de uma criatura muito mais maligna…

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