Categorias
Geral Livros

Minha biblioteca organizada.

Biblioteca agora

Desde que vim para Porto Alegre, junto com meus livros, algo que me incomodava muito era a sua organização. Depois de estudar Direito e Processo do Trabalho no Uruguai, Teoria da Argumentação na Espanha e passar a me interessar por Neurociência, minha biblioteca se avolumou e a organização se tornou caótica.

Se antes eu acumulava livros pelo simples prazer de o fazer, com a aquisição de obras específicas e raras a sua manutenção passou a se tornar mais séria. Por uma dica do Maguil encontrei a bibliotecária Cláudia que me deu uma senhora mão. Em pouco tempo organizou todos os meus livros (exceto uma quantidade considerável que eu simplesmente descartei em decorrência de sua irrelevância), inclusive indexando-os através de um software específico para bibliotecas.

Parece incrível, mas a organização dos livros reflete, inclusive, na minha organização mental. Me sinto muito mais apto para estudar sabendo que tenho condições de encontrar facilmente um livro cuja referência me venha, durante as minhas pesquisas.

O próximo passo, agora, é a indexação de alguns anos de arquivos digitais colhidos da web, muitos dos quais, igualmente raros, ou atualmente sem acesso.

Para quem não entendeu a referência, pode dar uma olhada na imagem abaixo tirada logo antes do início da organização.

AsDYSA8Etck6W8apiujYFj-FX9Kns-A1iijHbhu3jNFP

Categorias
Geral Leigo Novato

Como citar jurisprudência

Atenção: Se você veio até aqui para saber como apresentar jurisprudência em uma ação ou processo, aconselho a ler este artigo: Como apresentar jurisprudência.

Muitas vezes quando estamos fazendo uma monografia ou trabalho científico, não é raro de travarmos em algum aspecto às vezes até simples, como, por exemplo, as normas da ABNT. Assim para citar jurisprudência quais dados são necessários transcrever?

Em primeiro lugar devemos ter presente que, mais do que regras meramente burocráticas, as normas expedidas pela ABNT visam, justamente, uniformizar a comunicação, possibilitando que qualquer leitor, ao se deparar com uma referência bibliográfica, possa facilmente identificar de que se trata e, principalmente, buscar a obra para, querendo, aprofundar os seus estudos.

As regras para as referências estão estabelecidas na NBR 6023, sendo que as que dizem respeito à jurisprudências estão estabelecidas no item 7.9.2.1, que estabelece como elementos essenciais: jurisdição e órgão judiciário competente, título (natureza da decisão ou ementa) e número, partes envolvidas (se houver), relator, local, data e dados da publicação.

Com estes dados se poderá com facilidade buscar novamente a informação acerca do aresto. É importante ressaltar que, no caso de o acórdão ter sido obtido na Internet, deverá ser identificado também o endereço e a data de acesso.

Assim, por exemplo:

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão no Mandado de Injunção n.20/DF. Relator: MELLO, Celso de. Publicado no DJ de 22-11-1996 p. 45690.  Disponível em http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=81733. Acessado em 21-03-2013.

Me parece adequado que, a cada visita nova que se faz ao documento seja atualizada esta referência, para que se permita a um futuro pesquisador ter a noção, se o link for alterado, a data em que isso ocorreu. 

Este acórdão, para quem for curioso, mas não a ponto de seguir o link, é o primeiro sobre o Direito de Greve dos Servidores Públicos após a Constituição de 1988, negando a validade do movimento por ausência da norma regulamentadora. Destaca-se a honrosa divergência do Ministro Marco Aurélio de Mello.

Aproveite e compre o livro que vai ajudá-lo na sua monografia: Manual da Monografia Jurídica.

Categorias
Direito

Atraindo Paraquedistas ou Enganando o Público?

paraquedistasHá uma grande discussão na Blogosfera Brasileira (deve haver nas demais) acerca dos modos de atrair visitantes ao sítio através da utilização de padrões de pesquisa de acordo com fatos ocorridos, o que se chama “hype”.

A situação envolvendo o guri que faleceu nas mãos de bandidos e a procura por suas fotos (utilizei palavras menos procuradas justamente para não cair no lugar comum de criticar para atrair visitantes) abordada, por exemplo nos blogs Verdade Absoluta e Eu Podia Tá Matando, deve ter trazido para estes blogs muitas visitas, embora tenham se utilizado do anseio pela visão da tragédia de seus visitantes e, frustrando-os, lhes passaram uma lição de moral quanto a este tipo de curiosidade mórbida.

Moral de cuecas como diz a sabedoria popular. Podemos distinguir duas formas de explorar a curiosidade humana com este tipo de tragédias. A primeira no estilo Ratinho, no qual se atrai a audiência, entregando o produto prometido, o que pode ser condenável sob alguns aspectos, violando o bom gosto de alguns. Outro seria o estilo João Kleber, apresentador calhorda, que tinha por hábito manter sua audiência com a promessa, mentirosa, de exibição de situações inexistentes ou mentirosas. Aliás este tipo de procedimento é censurado pelos especialistas, que o chamam de O Método do Chapéu Negro.

No nosso blog anterior nos utilizamos deste expediente exatamente para atrair visitantes, e com sucesso, como nos episódios do vídeo da execução de Saddan Hussein ou, ainda que tardiamente, de Daniela Cicarelli, esta quando do bloqueio do YouTube. Na primeira situação exibindo o vídeo através de pesquisa no YouTube, no segundo, por não termos encontrado o vídeo, através de link a uma paródia, de uma propaganda institucional.

Em ambos os casos as matérias foram abordadas com o cuidado de aproximá-las de um dos temas principais do nosso blog o Direito, referindo conseqüências jurídicas dos fatos, o que restou por esclarecer aos nossos leitores acerca de situações, ainda que periféricas aos fatos ocorridos. Aliás como igualmente fizemos ao examinar no árido tema Big Brother Brasil para um blog de conteúdo como o nosso, as pretensões de uma das participantes em ser magistrada trabalhista.

Assim a promessa de exibir imagens ou conteúdo de cenas, ainda que trágicas e ofensivas para uma boa parte do público, descumprida pelo blogueiro lhe retira a credibilidade e trabalha contra o restante da comunidade, que pretende apresentar material com conteúdo jornalístico sério e autêntico.

Não se aplica tal situação, no entanto, quando há uma brincadeira, ainda que muito sutil, com o leitor como as feitas pelo Rafael por exemplo quando trata do acesso ao Orkut e seu bloqueio.

Exibir as imagens seria menos nocivo. Talvez algumas pessoas tenham que ver as imagens para terem nelas despertada a revolta que temos apenas pela notícia, não podemos desprezar este sentimento.

Aliás em reportagens com os pais da menina que foi morta no metrô já há algum tempo, estes afirmaram que as meras referências à sua filha e ao que de trágico lhes ocorreu lhes dava uma sensação de presença. Ou seja melhor a lembrança, ainda que mórbida, do que o esquecimento.

Melhor a imagem, que a promoção pura e simples. É apenas minha opinião, respeitando as contrárias.