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De Rosário do Sul a São Jerônimo

O mundo é dinâmico e mesmo situações que achamos que já se encontram consolidadas se alterem de uma hora para outra. Trabalhar em Rosário do Sul, cidade onde vivi parte de minha infância, era um projeto antes mesmo de eu ter idéia de quando seria promovido ou resolver ir mais para perto da fronteira para fazer meu mestrado no Uruguai.

Inclusive forma e motivos através dos quais me candidatei à remoção para a Vara de São Jerônimo, que agora não cumprem examinar, podem conduzir a qualquer conclusão que suponha a existência de destino ou outras forças que conduzem nossas decisões em lugar ou ao lado de nós mesmos.

Em Rosário do Sul eu pude, graças às condições especiais da cidade, me dedicar, ao mesmo tempo, a prestar uma atividade jurisdicional de qualidade – ou pelo menos o meu máximo – ao mesmo tempo em que me dediquei ao estudo do mestrado. Ou seja o que muitos colegas fazem com afastamento da jurisdição eu fiz em benefício dela.

Claro que tenho muito a agradecer ao excelente corpo de servidores que atuam na Vara que, embora não façam café pela manhã – nem mesmo depois de eu ter comprado aquela linda cafeteira automática de Rivera -, têm um conhecimento amplo dos processos sob a sua responsabilidade, possibilitando um trâmite rápido e efetivo das ações ali em andamento.

Por igual os advogados que atuam no município, em especial os ligados à Seccional rosariense, presidida pelo Dr. Ricardo Pietro, fazem com que Rosário do Sul seja a melhor vara trabalhista do Rio Grande do Sul, não em virtude de seu reduzido número de processos, mas, e principalmente, pela condução sempre franca e leal que fazem das suas demandas, não raro solucionadas antes mesmo do seu ajuizamento, motivo principal do reduzido número de reclamatórias que ora ameaça extinguir a unidade judiciária por tanto tempo vindicada e batalhada por sua população.

Deixo Rosário do Sul, mas não deixo a luta pela manutenção da sua Vara do Trabalho, de seus servidores, da possibilidade de se contar com um Juiz Titular que, como eu e os que me precederam, conheça a cidade, os servidores e advogados pelo nome. A instalação da Vara do Trabalho de Rosário do Sul foi uma conquista de sua população, de sua honrosa, ativa e sempre prestigiada classe política.

Transferir-me agora para São Jerônimo, muito mais próximo de Porto Alegre, onde voltarei a fixar minha residência, é um desafio novo. O número de demandas, embora bastante inferior ao da capital e de outras cidades da região metropolitana, não significa menor quantidade de trabalho consoante informações de colegas que me precedem, tampouco melhor qualidade de vida, uma vez que, ao que consta, a viagem Porto Alegre – São Jerônimo leva em torno de 50 minutos, o que, somado aos cerca de R$ 15,00 de pedágio (dois na ida, um na volta), não são uma notícia muito animadora.

Por fim não dá para esquecer que agora sou um professor desempregado, já que tive que pedir demissão da URCAMP, sem ter podido sacar o FGTS ou ganhar o seguro-desemprego. Aliás se alguém souber de alguma universidade na região metropolitana necessitada de professor de Direito e/ou Processo do Trabalho, por favor não se acanhem de me indicar.

Abaixo um mapa que mosta o deslocamento feito entra as Varas de Rosário do Sul e São Jerônimo.

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Vale a Pena Adquirir o Auto Expresso?

Hoje fui obrigado a trocar meu Cartão CONCEPA na Casa Freeway. O saldo zerou e a CONCEPA resolveu descontinuar o serviço em benefício do novo sistema, o Auto Expresso.Só nesta operação já fui roubado em R$ 1,00. Explico: adquiri o Cartão CONCEPA logo quando da sua implantação, por R$ 5,00. Conforme contratado o valor corresponderia apenas a uma espécie de depósito, ou seja eu seria reembolsado deste valor ao devolvê-lo. Pois bem não fui. Ao que consta logo após o pagamento do depósito o valor foi reduzido para R$ 4,00 e apenas neste valor fui reembolsado. Com certeza com minha cara de mau-elemento não consegui convencer a proposta da empresa de que pagara o valor maior – eles são treinados para identificar pessoas que de má-fé buscam lesar a empresa mesmo no significativo valor de um real.

Pensei em reclamar, sapatear… por um real? Na verdade não tão pouco. Considerando o tempo em que havia efetuado o depósito seria justo que houvesse uma correção, ainda que a inflação não esteja tão alta, mas tudo bem, o prejuízo não deverá chegar a dois reais.

O lucro é que deve ter sido grande. A empresa com certeza auferiu muito dinheiro apenas trabalhando com os créditos, pagos antecipadamente, e aos quais não remunerava. Mas, tudo bem, compensava o benefício de “furar” diversos apressadinhos que íam me ultrapassando até a chegada da praça de pedágio, vendo-os parados no final da fila para o pagamento cash enquanto passava lépido pela cancela automática.

No entanto se já tenho queixas em relação ao cartão, imagina o que será este novo produto, que o substituirá, o Auto Expresso.

As informações não são precisas. A CONCEPA diz que o serviço não é seu, mas de uma tal de DB TRans que, contudo, no seu sítio não fala nada sobre ele.

O que se noticia no sítio da CONCEPA – ainda assim apenas quando aparece o banner – é que será instalada uma espécie de tag no vidro do veículo e, ao aproximar-se do pedágio bastará reduzir a velocidade que um equipamento eletrônico identificará o veículo, lançará o valor, abrirá a cancela e, maravilha das maravilhas, debitará automaticamente em conta-corrente do condutor.

A grande pergunta que fica é: e se o valor for incorreto? O usuário abre a sua própria conta bancária para que a empresa faça um saque no valor que bem entender. Clonagem, erro, má-fé… diversos outros fatores poderão incidir para que o saque seja incorreto, quem sabe absurdo. Se for de centavos, alguns reais, dezenas ou centenas, quem sabe milhares de reais… o usuário terá que se sujeitar ao débito e, quem sabe, à boa vontade da empresa em apurar e, muito possivelmente, não restituir os valores.

Há! E tem mais um detalhezinho: ainda tem um pagamento fixo mensal…

Na foto abaixo alguns dos felizes usuários que aderiram ao sistema.