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Direito Geral

Foi chamado de feio, chato ou bobo? Vamos processar.

Virou moda. É quase um “meme” que se espalha mais rápido do que água morro abaixo ou fogo morro acima. Qualquer coisa se resolve na Justiça.

Cena de “O Processo” (1962), de Orson Wells

Agora é a história do advogado que foi fotografado vestido descontraidamente em um aeroporto. Uma professora universitária – que nem por isso deixa de ser um ser humano e, portanto, detentora de todas as vicissitudes desta espécie – fotografou e postou em seu Facebook um comentário infeliz sobre os trajes do cidadão.

Quero crer que a sua ideia era fazer graça com seus colegas de profissão assim como eu, confesso, às vezes faço com alguns amigos de forma não inteiramente politicamente correta.

Agora, por conta disso, o cidadão retratado, que é advogado, resolveu que irá “processar” a tal professora. Pela graça de Nosso Senhor eu sou Juiz do Trabalho e não há a mínima possibilidade de eu vir a julgar um caso semelhante. No entanto fico pensando o que se passará na cabeça de meu colega Juiz de Direito ao receber tal processo.

Pensem no dilema: o juiz deve ter pilhas de ações de indenizações por acidente, guarda de filhos, talvez pedido de remédios ao Estado, réus pressos e tantas outras mazelas que infligem a sociedade e que competem, infelizmente, ao Judiciário decidir e… o caso do advogado mal vestido que foi fotografado pela professora que postou no Facebook o comentário de que ele não tinha glamour.

Enquanto o Judiciário não começar a custar caro, ao menos para as questões banais, continuaremos tendo, cada vez mais, esta torrente de processos. Com prejuízos para todos, inclusive para o advogado do aeroporto.