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Pronunciamento do presidente. Análise de discurso.

Vou aproveitar o pronunciamento de ontem do nosso presidente para apontar alguns aspectos que entendo devam ser observados em uma declaração e que, no entanto, são frequentemente negligenciados.

O pronunciamento decorre da denúncia criminal por corrupção feita na data de 26 de junho pelo Procurador Geral da República contra o presidente Temer.

Não há negativa.

Para se fazer uma boa análise de um discurso muitas vezes temos que observar mais o que não foi dito, mas poderia, do que o que foi, de fato, dito.

Um dos aspectos que é interessante destacar é que o presidente não apresenta uma negativa expressa em relação aos fatos que lhe são apontados. Ele sequer explica porque Rocha Loures pegou a mala de R$ 500 mil ou postula que isso seja investigado. Isso pode dar a entender que há uma intenção em proteger seu cúmplice sob pena de, não o fazendo, perder a sua colaboração e ter uma outra delação contra si.

(Tentando) convencer sem ter razão.

Por outro lado o presidente, que se sabe, consultou o seu marqueteiro antes do pronunciamento, se utiliza de um estratagema conhecido da Erística de Schopenhauer de desqualificar o oponente. Ou seja tece, admitindo não ter responsabilidade em estar certo, um cenário semelhante em relação ao autor da denúncia, Rodrigo Janot, para, obtendo a simpatia do público em relação a Janot, receber deste mesmo público, ao menos, o benefício da dúvida.

O recibo da propina.

Outro aspecto em que o presidente parece errar é ao exigir provas “concretas” de seu envolvimento com corrupção para, logo a seguir, afirmar a sua inexistência. Como eu digo nos processos trabalhistas, a prova da corrupção, assim como do pagamento “por fora” não existe porque ambos – pagador e recebedor – estão praticando um ato ilícito e, via de regra, isso não é documentado.

 

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Brindeiro: Entre a grandeza e a pequenez.

sombra

A partir do trabalho sério de grandes homens públicos como Sérgio Moro e Rodrigo Janot não posso deixar de lembrar de Geraldo Brindeiro como o seu mais perfeito oposto e, ao mesmo tempo, símbolo de todo um período da História do Brasil.

Brindeiro ocupou, no governo de Fernando Henrique Cardozo, o mesmo cargo que hoje ocupa Rodrigo Janot. No entanto, no lugar de desempenhar o seu mister profissional, iniciando o combate à corrupção no país, se permitiu um papel abjeto, apelidado, internacionalmente inclusive, de “engavetador geral do república” por preferir assegurar a “governabilidade da gestão FHC”.

Brindeiro não percebeu que, ao exercer o cargo de Procurador Geral da República, estava escrevendo a sua biografia e que isso, muito mais do que os pequenos prazeres que o exercício do poder lhes assegura momentaneamente, é o que dele restará no futuro.

Infelizmente Brindeiro, é muito mais do que Moro e Janot, o que representa os agentes públicos desta democracia jovem chamada Brasil.