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Filme: A Dama Dourada

Assisti nesta semana A Dama Dourada. O filme é sobre uma mulher judia, que fugiu de Viena durante o regime nazista tendo deixado todos os seus bens para trás, em especial um quadro de um pintor famoso, Gustav Klimt, que retratava a sua tia.

O drama se passa a partir do momento em que, sabendo que a Áustria estaria devolvendo aos seus legítimos donos as obras que haviam sido apropriadas pelo regime nazista, esta mulher procura um jovem advogado, também de origem austríaca, a quem comete a missão de recuperar a obra. No entanto esta obra, especificamente, havia sido incorporado ao museu nacional e era tratada como um símbolo nacional.

A partir daí se desenrola uma interessante batalha jurídica que vai da Áustria até, surpreendentemente, por uma excelente sacada do seu advogado, para a jurisdição estadunidense, com especial destaque para a celeridade com que a questão respectiva à sua competência é decidida na Suprema Corte, até ser decidido por meio de arbitragem na própria Áustria.

Além de ser uma interessante história, com uma excelente atriz principal, é interessante para os estudiosos da Teoria da Negociação, poder verificar as fases pelas quais o caso passa, da absoluta negativa de qualquer possibilidade de solução negociada por parte das autoridades austríacas, até a suplicação por clemência ao final da decisão definitiva.

O filme está disponível no Net Now e também no NetFlix.

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Os Miseráveis no cinema.

Ontem assisti a versão cinematográfica d’Os Miseráveis. Fiquei bastante impressionado com o filme e um pouco envergonhado por, embora já tenha assistido também o Musical, aqui mesmo no Brasil, ainda não tenha lido o livro.

Uma das coisas que mais impressiona na obra de Vitor Hugo é que Os Miseráveis não possui um autêntico vilão, senão o próprio Estado e uma legislação criminal demasiado severa e uma legislação trabalhista ainda inexistente.

Jean Valjean e Javert são, em verdade, duas vítimas desta lei. O primeiro por, sendo pobre, ter sofrido uma severa condenação – cinco anos pelo roubo de um pão para alimentar o sobrinho faminto, agravado até 19 por sucessivas tentativas de fuga – além de uma pena perpétua ao ser documentado como perigoso e, portanto, sem conseguir, em uma França assolada pela miséria, trabalhar dignamente.

Javert, por sua vez, é atormentado pelo cumprimento da lei. Um soldado incorruptível que acredita cegamente nas regras que jurou observar. Para Javert teria sido melhor morrer nas mãos de Jean Valjean, a quem as leis tacharam de perigoso, e portando incorrigível, do que passar pela perplexidade de ter sua vida poupada, tanto que, ao retribuir o favor, deixando de Jean Valjean escapasse, e assim violar a sua lei, Javert tem uma crise tão grande que acha melhor por fim à sua vida.

Tampouco se podem considerar vilões o casal Thénardier, ambos também vítimas da miséria e que por conta disso se encontram desvinculados de toda moral e ética.

Quem assistir não vai perder seu tempo ou dinheiro.

 

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Direito

Filmes trabalhistas: Germinal

Germinal, cartaz do filme
Germinal, cartaz do filme

Prosseguindo ao ciclo de exibição de filmes trabalhistas na AMATRA IV, nesta quarta-feira, nesta semana exibiremos Germinal, do diretor Claude Berri.

Ambientado na França do século XIX a película descreve a situação dos trabalhadores de minas de carvão nos primórdios da Revolução Industrial.

O carvão, no início da industrialização, teve extrema importância, por ser a fonte de energia para o funcionamento das máquinas.

Não obstante, conforme se verifica no filme, baseado no romance de Émile Édouard Charles Antoine Zola, se verifica uma extrema submissão dos trabalhadores às condições de trabalho, com a exposição não apenas dos homens, mas também de mulheres e crianças, o que pode ser considerado o embrião de uma legislação trabalhista.

Destaque para a formação, igualmente embrionária, dos agrupamentos de trabalhadores, destinados a pressionar os empregadores (no caso desconhecidos donos das minas), a lhes conceder melhores remuneração e condições, fortemente inspirados na doutrina socialista.

O DVD que estava indisponível para venda, foi relançado e está na Livraria Cultura.

Curiosidade: Para escrever o livro em que se baseia o filme, seu atuor Zola viveu dois meses como minerador. Acordando, comendo, bebendo e trabalhando nas mesmas condições que eles. Isso deu a ele um retrato bem realista de como era suas vidas em diversos aspectos.

O texto do livro de Émile Zola está em domínio público e disponível para download (em Francês), ou pode ser comprado na Livraria Cultura.

Ficha Técnica

Título original: Germinal
Gêneros: Drama
Tempo: 170min
Ano: 1993
Direção: Claude Berri
Roteiro: Arlette Langmann e Claude Berri
Elenco:
Gérard Depardieu (Toussaint Maheu)
Jacques Dacqmine (Philippe Hennebeau)
Bernard Fresson (Victor Deneulin)
Jean-Pierre Bisson (Rasseneur)
Laurent Terzieff (Souvarine)
Judith Henr (Catherine Maheu)
Jean-Roger Milo (Chaval)
Jean Carmet (Vincent Maheu dit Bonnemort)
Miou-Miou (Maheude)
Renauld (Étienne Lantier)
Anny Duperey (Madame Hennebeau)

Filmes trabalhistas: Ladrões de Bicicleta

Ladrões de Bicicleta, cartaz de divulgação
Ladrões de Bicicleta, cartaz de divulgação

Prosseguindo ao ciclo de exibição de filmes trabalhistas na AMATRA IV,  nesta semana exibiremos Ladrões de Bicicleta, do diretor Vittorio de Sica.

Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette, 1948) tem como pano de fundo a Itália do pós-guerra. O país está destruído e a população em miséria. Ricci (interpretado pelo ator amador Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera.

No entanto este emprego lhe exige possuir bicicleta. Sem dinheiro, Ricci e sua mulher Maria (interpretada por Lianella Carell) conseguem dinheiro para resgatar da agência de penhores sua bicicleta, que, contudo, é, durante a sua atividade profissional, roubada, originando o enredo do filme, que é a sua busca pelo veículo, juntamente com seu filho, Bruno, interpretado por Enzo Staiola.

Duração: 93min

Ficha técnica:

Direção: Vittorio De Sica
Roteiro:  Vittorio De Sica, Cesare Zavattini, Suso Cecchi D’Amico, Gerardo Guerrieri, Oreste Biancoli e Adolfo Franci

Elenco: Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola,  Lianella Carell e Vittorio Antonucci

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Avançado Direito Prática

Filmes Jurídicos: O Júri

Este filme é uma aventura em muitos sentidos. Além de dar ao expectador uma noção de como funciona o jogo por trás das cortinas de um grande júri (o que tanto pode ocorrer nos Estados Unidos como em qualquer outro países), também nos dá uma clara noção do funcionamento do sistema jurídico norte-americano no que diz respeito à escolha do júri, o que muitas vezes já se pode significar o ganho de uma causa.

A escolha do júri no sistema norte-americano é uma ciência quase exata, e há profissionais especialmente treinados para a avaliação de perfis para que se possa apreender se o jurado poderá responder positivamente às teses a serem apresentadas.

Tanto que há livros que ensinam a aplicação da técnica, inclusive para outras ocasiões da vida, como por exemplo, o Decifrar Pessoas, de JO-ELLAN DIMITRIUS, que outra hora eu volto a abordar.

O elenco de primeira traz John Cusack, como o jurado corrupto Nicholas Easter, Gene Hackman, como o inescrupuloso selecionador de jurados Rankin Fitch, Dustin Hoffman como o advogado da autora, Wendell Rohr e Rachel Weisz como Marlee, a cúmplice de John Cusack.

O DVD de O Júri está disponível para venda no página da Livraria Cultura.