mascando chicletes

Alguém se sentiria bem em ser atendido em uma consulta enquanto o médico estivesse comendo um sanduíche? Ou ser servido por um garçom que estivesse fumando? Ou que o seu contador o atendesse cortando as unhas?

Você faria a apresentação de seu trabalho de conclusão mascando chicletes? Ou já viu alguém casando ou tomando posse em cargo público mascando chicletes?

Me parece que a resposta correta em qualquer destas situações seria não. No entanto frequentemente me sinto extremamente constrangido em ter que advertir advogados para que não mastiguem chicletes durante as audiências.

Não se tratam meramente de audiências inicias em que é apresentada a defesa e documentos, apresentada a primeira proposta de acordo e adiada para prosseguimento. Nestas eu já nem me incomodo mais, pois seria muito desgastante.

No entanto audiências para oitiva de depoimentos, às vezes em que as partes têm várias testemunhas, frequentemente tem os seus procuradores ostensivamente mascando os malditos chicletes. Se isso já é desrespeitoso em relação ao juiz, autoridade que, no momento, representa o Estado, quanto mais em relação ao próprio cliente, que tem no advogado o seu representante na solenidade. Isso sem se falar nos adversários, que acabam tendo uma imagem negativa do seu oponente.

Sei que, por ser frequente, muitas vezes acabamos nos esquecendo, juízes, advogados e alguns prepostos, que a audiência é uma ocasião solene. No entanto, se em alguma medida podemos torná-la mais leve, em especial para as partes que não a tem como rotina em suas vidas, isso não pode ir ao ponto de a banalizarmos tanto a ponto de a realizarmos com evidente desrespeito em relação aos seus participantes.

Ou será que eu sou muito antiquado e devo me adequar a esta nova realidade? Gostaria de saber a opinião dos leitores.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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