Hojé é Dia do Pindura…

Olha o garçom lá atrás de olho neles...

Não vou ser hipócrita de dizer que nunca fiz ou aproveitei o Dia do Pindura. Pelo contrário sempre fui um de seus maiores entusiastas e só não fiz até o final da faculdade por falta de companhia (muitos dos meus colegas antes de mim concluíram que não era uma atitude bacana).

Atualmente acho que não faria. O mundo está muito diferente e estranho e certos tipos de brincadeiras já não são mais toleradas, algumas, como esta, com uma certa razão. Para começar hoje o número de faculdades de Direito é assustadoramente grande, o que pode representar para um estabelecimento tradicional, como o Barranco, aqui de Porto Alegre, em um gigantesco prejuízo no caso de diversos estudantes, das muitas instituições, resolverem ao mesmo tempo “pindurar” ali.

Isso sem falar nos exageros que isso sempre faz acontecer. Quer do lado dos estudantes, ao abusar das bebidas sem pagá-las, aumentando o prejuízo, quer dos proprietários e empregados dos estabelecimentos, que podem, por vezes, reagir violentamente.

Com o intuito de não perder a festa e não estragar a tradição o ideal é que os estudantes combinem previamente nos restaurantes que costumam freqüentar o comparecimento, com reserva de mesa, cardápio e, quem sabe, até algumas bebidas. Com certeza bons fregueses serão muito bem recebidos para comemorar o seu dia, com direito a discursos, aplausos e agradecimentos à calorosa acolhida. Sem esquecer, claro, da gorjeta do garçom, pois 11 de agosto também é seu dia.

Se você, no entanto, não conseguir negociar com o seu restaurante favorito é hora de parar para refletir. Ou você não é um cliente tão bacana assim ou você está freqüentando lugares que não lhe reconhecem. Ainda dá tempo de mudar para, que sabe no próximo ano, tentar uma negociação mais bem sucedida.

Apenas para que se situem 11 de agosto é o dia em que se comemora a instalação das primeiras Faculdades de Direito do Brasil, de Olinda e do Largo de São Francisco, esta atualmente da USP, na qual estudou, por exemplo, a minha amiga Lady Rasta. Além disso e por causa disso 11 de agosto é também o Dia do Advogado, do Juiz e do Membro do Ministério Público. A instituição do Dia do Garçom foi uma forma de justificar o fechamento de muitos estabelecimentos nesta data, justamente para evitar o famigerado “pindura” ou constranger os “pinduradores” a, pelo menos, garantir a gorjeta daquele profissional que tão alegremente nos serve.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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3 comentários

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  1. “Atualmente acho que não faria”
    -> “Acho” da margem a dúvida. Prefiro acreditar que você, como um juiz, de fato não o faria.

    “O mundo está muito diferente e estranho e certos tipos de brincadeiras já não são mais toleradas, algumas, como esta, com uma certa razão”
    -> Não, isto não é uma brincadeira. Isto pode levar a prejuizos e não pode ser visto como brincadeira. Principalmente por aqueles que defendem a lei. Ainda que não levasse a bancarrota, ainda que fosse apenas um copo de cerveja, estaria igualmente errado.

    “Para começar hoje o número de faculdades de Direito é assustadoramente grande, o que pode representar para um estabelecimento tradicional, como o Barranco, aqui de Porto Alegre, em um gigantesco prejuízo no caso de diversos estudantes, das muitas instituições, resolverem ao mesmo tempo “pindurar” ali.”
    -> Errado, muito errado. Ainda que fosse apenas uma instituição isto estaria absolutamente errado. Não é a quantidade que leva o ato a ser absurdo e sim o ato.

    “Isso sem falar nos exageros que isso sempre faz acontecer. Quer do lado dos estudantes, ao abusar das bebidas sem pagá-las, aumentando o prejuízo, quer dos proprietários e empregados dos estabelecimentos, que podem, por vezes, reagir violentamente.”
    -> Deveriam é chamar a polícia e processar estes marginais (que outro nome poderia ser dado a quem compra e não paga?). O problema é que eu já vi que chegam na delegacia e não dá em nada. Dizem que é uma brincadeira, que vão pagar depois e fica por isto mesmo. Sinceramente, CADEIA para estes marginais travestidos de estudantes.

    “Ou você não é um cliente tão bacana assim ou você está freqüentando lugares que não lhe reconhecem”
    -> Se tivesse um “dia do restaurante” será que os advogados topariam pegar de graça alguns processos? Fosse o advogado um frequentador de um determinado restaurante, isto implicaria em dizer que o advogado não reconhece o bom serviço prestado e que agora não quer retribuir trabalhando de graça? No dia da empregada doméstica, quem lhe da um aumento significativo ou então lhe da alguns dias de folga? Os restaurantes que frequento me reconhecem como bom cliente e eu os reconheço como bons comerciantes. Eles me tratam muito bem, me dão descontos eventualmente, preparam meu prato mais caprichado sempre. Eu volto com frequencia.

    “A instituição do Dia do Garçom foi uma forma de justificar o fechamento de muitos estabelecimentos nesta data, justamente para evitar o famigerado “pindura””
    -> Se fecha é sinal que um dia parado é mais lucrativo que o risco de abrir e um monte de caloteiro (que é o nome para quem não paga) aparecer e lhe dar prejuizo. Embora seja estúpido precisar fazer isto é uma sensatez de quem é empresário e precisa pagar as contas no fim do mês sem ter como ‘pindura’.

    “ou constranger os “pinduradores” a, pelo menos, garantir a gorjeta daquele profissional que tão alegremente nos serve.”
    -> Constranger?? Não, constrangido fica o empresário que precisa fechar para não levar calote. Constrangido fica o empresário que PRECISA fechar um dia inteiro e deixa de ganhar (e no fim do mês as contas chegam e não podem ser ‘pidurada’) por causa de um bando de caloteiro. São estes que irão depois defender a lei? Se não pagaram sequer o que consumiram, que é OBRIGATÓRIO, porque dariam gorgeta que OPCIONAL?

    1. @Eduardo C. Rocha,

      Você me leva muito a sério. Minha opinião é apenas mais uma. A minha primeira frase não pode ser compreendida como você compreendeu. Eu como juiz não sou mais estudante, portanto não poderia “pindurar”. Acho que se eu fosse estudante não faria, mas também poderia fazer, até porque quando o fora eu fiz.

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