Gilmar Mendes e a “crise” do Judiciário
Estou para entrar de férias na próxima segunda, mas já estou em ‘ritmo de’. Assim passei este final de semana ocupado com outras coisas e só por alto inteirado das idas e vindas da peleia entre o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o juiz federal paulista Fausto De Sanctis.
Contudo apenas de dar uma rápida passada de olhos nos meus emails, em especial os ‘das listas’ (de discussões dos juízes), pude ver que a grita é geral contra uma atitude em especial de Gilmar Mendes: a de ameaçar, através de ofícios aos órgãos correicionais, o juiz de um processo disciplinar.
Não sei se já comentei por aqui, mas passei um grande constrangimento quando, ao submeter um texto meu para tradução para o espanhol (ainda não me considero suficientemente fluente a ponto de escrever na língua de Cervantes) em que eu fazia referência às Corregedorias, pois no Uruguai disso não se cogita, sendo de escandalizar o fato de que um juiz possa se submeter, de forma tão corriqueira, à revisão de suas decisões e atos por um colega seu, ainda que de um grau superior. Aliás, conforme o meu orientador (tutor em espanhol), Oscar Ermida Uriate, existia a figura do corregedor apenas no direito medieval espanhol…
Em todo caso que pegou mal, pegou.
O Blog 5ª Emenda está acompanhando bem o caso e refere que todas, eu disse TODAS, as entidades de classe ligadas às carreiras jurídicas apresentaram manifesto de repúdio à atitude pouco democrática do ministro, na medida em que, no lugar de atuar apenas na esfera judicial, em relação a atos de natureza decisória, suas e do colega De Sanctis, deu uma de “mimimi” e apelou para órgãos disciplinares, dentre os quais um que ele próprio preside, o CNJ.
Eu fico especialmente satisfeito, tendo em conta que nos próprios comentários do 5ª Emenda encontro referência aos manifestos de duas associações que integro, a ANAMATRA e o IPEATRA, sendo que igualmente a AMB, da qual também sou associado (sim eu pago um monte de taxas) já se manifestou.
Eu seria leviano se asseverasse ter opinião formada sobre o assunto. Todavia ouvi na rádio a manifestação de um Procurador da República, que coincidentemente foi meu colega de colégio, Luciano Feldens, em que ele manifesta desconformidade com a possibilidade de pessoas ricas apelarem diretamente para o STF, ao passo que os desvalidos são presos sem ter todo este manancial de recursos.
Concordo integralmente com o procurador, destacando que muitas coisas até para mim, que tenho alguma formação jurídica, são de difícil apreensão. Por exemplo o fato de o assassino confesso, Pimenta Neves, condenado em várias instâncias ainda estar solto e o casal acusado da morte da menina Isabella Nardoni, sem qualquer decisão de mérito, estar preso.
Isso sem falar das astronômicas despesas que a União está fazendo em relação à prisão de Cacciola que, entregue pelo Princípe de Mônaco, agora quer se socorrer da ONU, asseverando que nossa polícia não atende a dignidade da pessoa humana. Ele deveria era assistir Lei e Ordem, ou ser entregue ao Capitão Nascimento.
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13 07 2008 às 12:18 am
Espero maiores adesões ao inconformismo de procuradores e juízes, espero que o circo se forme de verdade, por que o que aconteceu foi absurdo sem tamanho.
13 07 2008 às 5:16 am
Não existe a possibilidade de estar havendo apenas uma "propagação de erro", ou seja, uma informação incompleta/errada, ao ser difundida, adquire maior status de veracidade?
Onde está essa ameaça de processo disciplinar? Ela se refere ao "pito" do Gilmar Mendes quando do segundo HC (onde ele lembra a reincidência do De Santis em prender alguém logo após esse alguém ganhar um HC) ?
Perdoe-me os eventuais erros, sou leigo e não tenho acompanhado em detalhes esse caso - mas preocupa-me que a discussão descambou para o "mas ele é da turma do Fulano", "ele sempre ajudou os Ciclanos"… E eu, no meio desse tiroteio, fico sem entender os méritos de um ou outro, e com a impressão de que sei menos sobre Direito do que quando o imbroglio começou.
Em tempo, qual teria sido o comportamento apropriado do Gilmar Mendes, no sentido de transmitir sua preocupação com relação a De Santis?
Abraço,
Leo
13 07 2008 às 8:07 pm
O erro é todo do Min Gilmar.
13 07 2008 às 9:54 pm
Porem os fatos somente confirmam a minha observação quando ainda jovem afirmava em discussões acaloradas com amigos, amigos estes que até hoje (alguns) me acompanham.
O direito é POLÍTICO é jamais será jurídico. Porque as leis são implantadas pelas elites(?) e os vendidos politicamente.
E se eventualemente nascer um JURISTA sem mácula, ele será obrigado a fazer cumprir as leis que emanam do legilslativo e executivo, que é podre na sua essência.
Nunca haverá chance para para a sociedade.
Enquanto isto nos enganamos em TESES; DOUTORADOS; MESTRADOS, que jamais irão a algum lugar.
Eventualmente ocorrem alguns fatos isolados ( vitórias ) do mundo jurídico aqui e acolá, mas que na verdade não significam nada. E fazem grandes alardes destas pretensas vitórias. Porque os fatos que realmente significam algo, já estão decididos na sua origem e mesmo antes de ocorrerem.
Aliás neste final de semana a PUC/RJ acolheu o eminente Min Gilmar para fazer parte de uma BANCA de Mestrado. Lindo não ?
Boa sorte na LABUTA incansável e diária do nobre julgador.
Perdão por ser realista.
Não passamos de uma ÁFRICA melhorada e subserviente aos ditames daqueles que realmente comandam o sistema.
Sinceramente tenho vergonha de ser brasileiro e GAÚCHO, porque em outros tempos não ficaríamos calados perante tal afronta.
Não afronta perante ao judiciário, mas afronta a sociedade.