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O promotor e o motoqueiro

A situação do promotor paulista, Pedro Baracat Guimarães Pereira, que, ao que tudo indica, desferiu tiros em legítima defesa contra o motoboy Firmino Barbosa poderia muito bem passar despercebida, não fosse a ânsia com que a imprensa tem recebido notícias contra juízes e promotores.

Estamos, infelizmente, muito mais expostos que os outros. Expostos porque somos cidadãos e estamos sujeitos às mesmas vicissitudes dos demais e, principalmente, porque os holofotes da imprensa se voltam contra estas autoridades públicas meramente pelo fato de o ser, embora não outorguem esta mesma notoriedade instantânea aos magistrados e promotores que se destacam no exercício de suas atribuições, muitas vezes com um esforço além do que lhes é exigido.

Por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

8 respostas em “O promotor e o motoqueiro”

Parece que o PROMOTOR não é tão inocente assim, não é verdade?

A mídia tem que verificar se não estes promotores da vida pensam que é Deus e vai fazendo o que bem quer.

CAGADA DAS GRANDE

Jorge, li no Blog do Promotor que a arma 9mm estava registrada em nome do irmão do promotor, então ela deve ser legal mesmo.
Contudo ouvi dizer que foram desferidos tiros nas costas do sujeito, mas ouvi dizer não é nada, então não tome como informação.

O problema é que promotores e juizes tem o porte de arma mas não são obrigados a fazer curso preparatório para uso. Em se sabendo usar com segurança uma arma de fogo, volta e meia vemos tragédias, imagine não sabendo.

Estou curioso para saber a verdade fática do caso do promotor Thales, afinal teci toda uma teoria baseado em uma peça da defesa, mas que continha declarações dos acusadores. Se ficar sabendo dê um alô! =)

Este sentimento de “perseguição” pela imprensa marrom que nós temos já há muito faz parte do cotidiano dos policiais. E caminho para isso é mágico: apenas tolerar os erros (crimes) de alguns, e quando menos se espera estão todos no mesmo saco. Não duvidem.

O caso do promotor Thales eu parei de acompanhar, mas ainda me parecia legítima defesa, até onde vi, por mais que minha opinião seja minoritária, mas é o tipo de coisa que é difícil entender para quem nunca se viu em situação semelhante.

Já o do Baracat, pelo que li parece mesmo legítima defesa, mas legítima defesa putativa praticada por policial nunca passaria. Tribunal do Juri, fazer o que…

Não foi explicado ainda a pistola .9mm que Baracat portava, posto que ele não tem como comprá-la legalmente. A não ser, e imagino (espero) ser a hipótese do mesmo ter CR de Tiro, ou seja, estar cadastrado como atirador com autorização legal, podendo então comprar a arma.

Eduardo,
Como sempre as tuas opiniões são bastante lúcidas.
1) A tua posição acerca da “tolerância” é a mesma minha: defender corporativamente colegas em situações “duvidosas”, torna os defensores piores do que os corruptos, pois estes ao menos tiveram a vantagem do crime, enquanto o defensor sequer isso teve.
2) A minha opinião acerca do promotor Thales apenas mudou depois de ler teu blog e as tuas observações.
3) Eu recordo que um amigo meu, juiz em Sampa, ter dito quando começou esta coisa toda de proibição de uso de armas, que ele poderia comprar arma privativa das forças armadas… não sei porque não tive interesse, mas me parece que era isso… em todo caso é muito fácil saber se a arma era regular: se eles pararem de falar é porque era…

Acho justo que a mídia aponte os magistrados e promotores que cometem crimes como, por exemplo, nos casos de Thales Ferri Scoedl, Jesus Wilson Rafael da Silva, Wagner Juarez Grossi e Pedro Percy Barbosa de Araújo.
Já o ocorrido com o promotor Pedro Baracat Guimarães Pereira, situa-se em uma esfera completamente diferente. Segundo algumas fontes de notícia, pelo menos duas testemunhas podem confirmar que realmente foi legítima defesa.
O fato da mídia não noticiar o sucesso dos profissionais da área de direito certamente deve-se ao fato de “não dar ibope”, pois o telespectador regular (“Homer Simpson”) não gosta gosta de ver pessoas em melhor situação que ele.

E aí depois aparecem alguns “nobres” deputados querendo acabar com a independência do Poder Judiciário e do Ministério Público, apresentando uma PEC que visa abolir algumas garantias dessas autoridades.

Lamentável.

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