A possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas sempre foi veementemente negada pelos Tribunais Eleitorais, nada obstante qualquer pessoa um pouco mais “letrada” em TI saiba que a medida da força de uma corrente é a do mais frágil de seus elos.Pois bem, a revista Veja desta semana noticiou, e o sítio Alagoas 24 Horas repercutiu, uma situação que está tirando o sono dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral: a existência de uma série de irregularidades na apuração dos votos no Estado de Alagoas. Incongruências que vão da totalização do número de votos de urnas inexistentes até a ausência de registro de votos de algumas urnas.
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(Ebenézer Anselmo – Escritor e membro da AELB)
As urnas eletrônicas brasileiras possuem falhas de segurança que podem alterar os resultados das eleições. Seu voto pode ser roubado. Esta afirmação vem sendo sustentada desde 1986, pelo Fórum na Internet denominado Voto Seguro: http://www.votoseguro.org, organização composta por professores da USP, UNICAMP, UNB e École Politechnique, engenheiros, profissionais de informática, juristas, jornalistas, advogados, brasileiros das mais diversas áreas de atuação, apontando a necessidade de se ter mais confiabilidade e segurança nas urnas eletrônicas brasileiras a fim de garantir a lisura nas eleições. (Pelas grandes possibilidades e facilidades de se fraudar a apuração dos votos nas urnas eletrônicas, os EUA, um dos países mais adiantados do mundo na área de informática, até hoje ainda não adotaram as urnas eletrônicas. E nem adotarão).
Deste grupo surgiu o Manifesto de Professores e Cientistas, um alerta para a insegurança do sistema eleitoral informatizado, colhendo assinaturas para reivindicar transparência, confiabilidade e segurança nas próximas eleições. Consulte HTTP://www.votoseguro.com/alertaprofessores.
Vejam o que está acontecendo: Recentemente, a ONG americana Black Box Voting publicou o relatório do especialista Ham Hursti sobre os Testes de Penetração que realizou nas urnas eletrônicas fabricadas pela empresa Diebold, o qual reforça a análise do Fórum do Voto Seguro. Eis as palavras do Eng. Amilcar Brunazo Filho, Diretor Técnico da TD Tecnologia Digital Ltda: “ A conclusão básica destes relatórios é que existem falhas de segurança nos projetos e construção das máquinas de votar americana-candenses da Diebold que permitem que o programa de votação possa ser adulterado para modificar o resultado da apuração de votos”.
E tem mais: “A empresa Diebold possui mais de 90% do mercado brasileiro de urnas eletrônicas, onde, com a marca Diebold-Procomp, produziu 375 mil das 426 mil urnas eletrônicas que foram utilizadas nas eleições presidenciais brasileiras de 2006. Será necessário analisar se as falhas de segurança apontadas nos Relatórios Hursti também existiram nos modelos de urnas eletrônicas fornecidas ao Brasil naquela ocasião, e, principalmente, nas que serão usadas nas próximas eleições presidenciais”.
O jornal baiano A TARDE publicou em 4 de junho de 2006, uma matéria sobre o acontecido nas eleições de 2002 na cidade de Salvador: o desaparecimento de 8.000 (oito mil) cartões de programação de urnas eletrônicas, que colocaram em risco a segurança do pleito na Bahia!! Este montante corresponde a 24% do eleitorado daquele estado e o fato foi totalmente omitido na ocasião. Nenhum jornal da Bahia ou de todo o Brasil, noticiou este fato, o que torna esta omissão tão ou mais grave do que o desaparecimento dos 8.000 cartões!!!
Nada impede que o mesmo tenha acontecido em outras cidades. Nada impede que venha a se repetir nas eleições de 2010, ou seja, o seu voto pode ser roubado.
Uma das formas de fraudar, apresentada por Pedro Rezende, Professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasília, é a seguinte: “A forma mais devastadora envolve a inserção de programa que adultera o Boletim de Urna (BU) junto com o correspondente mecanismo para o seu acionamento. Encerrada a votação, esse programa interceptaria a gravação em disquete e a impressão do BU para, por exemplo, antes, desviar uma porcentagem pré-programada dos votos de um candidato a outro… Tais ações seriam relativamente fáceis de serem codificadas por um programador mediano que conheça o sistema”.
Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado especializado em Direito Constitucional, acrescenta: “Pode-se, por exemplo, fazer inserir nos programas das urnas um comando para que, a cada quatro votos para um candidato, três sejam desviados para outro candidato. Pior: este programa de desvio de votos pode ser programado para se autodestruir às 17 horas do dia da votação, sem deixar vestígios, tornando inócua qualquer verificação posterior nos programas da urna!!!”
Como muitos desconfiam, suponhamos que as pesquisas que dão 82% de “ótimo” ao presidente Lula sejam compradas: se o resultado final de uma eleição fraudada apresentar tal índice para Lula, teremos aí uma “confirmação” dos índices das pesquisas (82%) que, também fraudadas, darão “legitimidade” às eleições. E todos dirão que “todas as pesquisas já antecipavam esta grande vitoria de Lula”.
Portanto, é urgente a adoção de medidas que evitem que tais procedimentos possam ocorrer nas próximas eleições!
P.S.: Todos os dados e informações técnicas apresentados neste artigo poderão ser vistos no Google, através da busca “Fraude nas urnas eletrônicas”
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