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Sobre os que monologam ou dialogam atalhando

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Hiroshi Agasa

Imagem via Wikipedia

Um dos piores vício do mundo moderno é a incapacidade das pessoas de ouvirem. Diariamente me ocorre de, ao tentar argumentar, fundamentar ou expor uma idéia meu interlocutor de imediato interromper meu pensamento, via de regra buscando adivinhar o que eu iria dizer (e, claro, errando) ou, pior, justamente por já ter apreendido a idéia central, querendo desde já a contrapor.

Se nas audiências em que presido isso já é insuportável, nada obstante eu faça questão de ouvir pacientemente os demais antes de apresentar a minha manifestação, isso se torna ainda pior em situações em que os interlocutores são outros juízes, meus colegas.

Parte-se de uma premissa universal de que a sabedoria foi toda dada aos meus interlocutores, restando para mim argumentos frívolos e desconexos, que não são sequer dignos de serem ouvidos, principalmente para não poluir a verdade que já paira sobre suas cabeças, tal como uma auréola.

Por isso escrever, em especial no Direito e Trabalho, me é uma atividade extremamente prazeirosa, embora muitas vezes a ela não possa dedicar um tempo maior. Ao que posso apreender tenho um grupo de leitores habituais que, embora não comentem com a freqüência que a minha vaidade poderia desejar, não hesitam em apresentar-me visões opostas, ou novos argumentos quando assim entendem pertinente, o que em muito me auxilia na elaboração de muitas teses, em especial àquelas que pretendo apresentar como trabalhos de conclusão de módulo do meu curso de mestrado.

É exatamente este diálogo pró-ativo que se desenvolve nos blogs, tanto através dos comentários quanto em trackbacks ou pingbacks (ainda não consegui entender a diferença entre ambos), que me faz indignado com situações como a que eu descrevi no final-de-semana passado de uma colega que, simplesmente, resolvera se alhear do conteúdo dos blogs (embora sequer tendo claro o que se considera um blog).

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