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Sobre a Intangibilidade do Judiciário

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Li no Blog da Soninha – cujo FEED infelizmente tem apenas o título, o que impede a sua assinatura através de agregadores – que ela está sendo processada por uma associação de Juízes pelo fato de ter dito que há corrupção no Judiciário.

Embora não tenha tido acesso ao artigo da vereadora que lhe ensejou a demanda (na verdade um comentário seu em um programa esportivo), entendo que não se pode imputar a uma pessoa, apenas por sustentar o que nem é tão absurdo assim, o dever de apontar todas as mazelas de uma categoria.

O Poder Judiciário é composto de pessoas humanas, embora alguns se considerem deuses e outros tenham certeza (piada de juízes do Trabalho: sabe qual a diferença entre Deus e um Juiz Federal? Deus não é Juiz Federal). Assim é difícil crer-se que em uma massa de mais de 14 mil pessoas não haja um ou outro que tenha sucumbido às tentações da matéria.

Aliás comumente temos visto o Conselho Nacional de Justiça identificando atos repreensíveis de diversas esferas do Poder Judiciário como, por exemplo, práticas de nepotismo e, recentemente, um concurso fraudado (que está ainda sob investigação).

Querer “tapar o Sol com a peneira”, afirmando categoricamente a inexistência de corrupção no Poder, portanto, não é sequer de bom senso. Até porque ao se identificar a “avis rara”: o juiz corrupto, se arrisca incluir na mesma panela todos os integrantes do Poder.

Tenho sustentado que há duas categorias de pessoas: as que estão acima de qualquer suspeita e as que se consideram acima de qualquer suspeita. No primeiro caso estaria a Madre Teresa de Calcutá (e ainda assim porque já morreu), no segundo todos aqueles que, ao serem acusados de corrupção, bradam acerca da sua honestidade e lisura, mas não aceitam prestar contas de seus atos, justamente em virtude de se considerarem acima disto.

O Judiciário é como a mulher de César, não basta que seja honesta, deve parecer honesta, e nada mais justo para isso que tenha práticas transparentes.

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