Início Direito O padre pateta

O padre pateta

74
4

Lamentável sob todos os aspectos a história do padre Adelir de Carli que de forma inteiramente irresponsável expôs a si e a outrem a diversas situações de risco.

Para começar se utilizou de um meio completamente inadequado para transporte: balões de festa. Não bastasse isso não possuía conhecimento para a operação de equipamentos mínimos de segurança e cuja operação sequer é tão complicada assim – o GPS.

Ademais quando alguém se dispõe a fazer um vôo experimental, é aconselhável que se faça acompanhar dos meios adequados para um eventual resgate caso alguma coisa dê errada, o que era bastante provável no caso do vôo do padre, tendo-se em conta que os balões, como todos sabemos, mesmo os utilizados em balonismo, não possuem direção, voando à vontade do vento.

O senhor padre, contudo, não tomou qualquer precaução e, ainda, partiu em um momento em que as condições climáticas eram extremamente desfavoráveis (cautela é o segredo da sobrevivência dos praticantes de esportes de risco, sendo importante destacar que em condições adversas sequer os grandes aviões decolam).

Acreditar que Deus iria, de alguma forma, socorrê-lo seria, por igual, subestimar a inteligência e o tempo do Altíssimo que, embora onipresente, não desperdiçaria um átimo de seu tempo com uma besteira dessas – até porque, certamente, tinha a intenção de falar pessoalmente o mais breve possível com o seu displicente ministro. Deus ajuda a quem se ajuda e, com certeza, o sacerdote não observou este preceito.

Não esqueçamos que o sacerdote tem como função cuidar e orientar o rebanho de Deus e atos irresponsáveis como este não são um bom exemplo.

Finalmente entendo que o falecido padre deveria responder com o seu patrimônio, ou de sua família, ou mesmo da Igreja, por todas as despesas que se fizeram para tentar o seu resgate. Em épocas em que se fala tanto em controle de gastos públicos, permitir-se que uma brincadeira de um idiota permita tanto desperdício de tempo e pessoal – e tudo isso é dinheiro – é um acinte, principalmente em um país pobre, que muitas vezes não possui sequer combustível para uma viatura prestar um atendimento de urgência, mas que teve que mobilizar aviões e mergulhadores para encontrar alguém que poderia, muito bem, se quisesse ter emoções, ter andado de montanha russa ou se atirado de um bungee jump.

Creio que o seu feito apenas o qualifica para o prêmio Darwin Awards, o que não deixa de ser um reconhecimento…

4 COMENTÁRIOS

  1. Ler essa “sentença” sobre o padre morto me faz lembrar das aulas do saudoso Basileu Garcia nas Arcadas, quando descrevia as práticas medievais. Abstraindo, no entanto, a responsabilidade civil que poderia ser carreada ao espólio do padre, não penso que caia bem a um “juiz jurista” partir para o ataque com esses termos. Respeito ao ser humano há não muito tempo era pré-requisito do exercício de cargo público, principalmente judicante. Deus tenha piedade do Brasil!

  2. Concordo com essa questão de arcar com os gastos públicos usados no resgate, por ter agido com culpa.
    Também sou favorável esse ressarcimento nos casos criminais, como da menina Isabela. Se o pai e a madrasta forem mesmo condenados, teriam de arcar com os custos das perícias, assim como ocorre nos processos civeis e trabalhistas.

    Rola na net uma montagem de que o padre foi para a ilha de Lost (http://tonygoes.blogspot.com/2008/04/acharam-o-padre.html)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.