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Não diga não.

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nao pula

Vou falar sobre a crise institucional, mas por outro ponto-de-vista. Ultimamente tenho estudado bastante Psicologia, Neurociência e outras disciplinas relacionadas ao comportamento humano, em especial para as minhas aulas de Interrogatório e Negociação.

Pois bem, todos sabemos que o partido da nossa presidente, que está no poder há mais de 13 anos, se valeu, nas campanhas eleitorais de excelentes profissionais de marketing, também chamados de marqueteiros, o que foi até exposto durante o julgamento da Ação do Mensalão. No entanto, surpreendentemente, parece que, de uma hora para a outra, a cúpula do partido simplesmente ficou burra.

Exemplo disso é o principal grito de ordem utilizado por quem defende a manutenção da presidente no poder: “Não vai ter golpe”.

Ora qualquer manual de Psicologia Infantil dirá que somos, sob certos aspectos, surdos para a palavra “não”.

Por exemplo, se uma criança está em uma situação perigosa, como sobre um muro, ou em uma janela, não devemos lhe dizer “não pula o muro” ou “não se mexa”, pelo contrário, devemos dar ordens positivas do tipo “fique onde está” ou “venha para cá”. Isso é válido também em situações de conflito com criminosos, quando se deve evitar ao máximo utilizar a palavra “não”, sob o risco de lhes despertar uma sensação negativa ou de rejeição.

Em simulações de negociação eu uso um exercício muito simples, que é o “não diga não”, ou seja os alunos tem que cumprir determinada tarefa, como a realização de um determinado negócio, sem ceder além dos seus limites, mas, igualmente, sem dizer não.

Acredito que alguma palavra de ordem do tipo: “Estabilidade já!” ou coisa do gênero tivesse um efeito muito mais positivo, para todos.

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