Início Teoria do Depoimento Ironia e sarcasmo…

Ironia e sarcasmo…

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O médico House, do seriado homônimo, usava de sarcasmo no tratamento com os seus pacientes.

O escritor Luís Fernando Veríssimo, volta e meia retorna ao tema de que seus leitores, muitas vezes, não conseguem entender a ironia de suas crônicas. Com efeito a ironia, nas palavras de Roberto Carlos da Silva Borges, é um fenômeno muito sutil e produto laborioso da inteligência. Ela pressupõe a existência de um destinatário hábil em desvendá-la e de um locutor que se permite fugir às normas de coerência impostas pela argumentação.

A indústria do software, atenta a esta realidade, está buscando um algoritmo capaz de detectar ironias. Uma mensagem nas redes sociais com uma redação do tipo: “Obrigado Air France por nos deixar duas horas mais tarde em Londres”, poderia, passar incólume pelo sistema automatizado de monitoramento de mídias sociais da companhia, mas daria aos seus leitores humanos uma impressão bem negativa da empresa. Assim a ideia é, justamente, desenvolver um equipamento que apreenda este tipo de sutileza de linguagem.

1 COMENTÁRIO

  1. Doutor, a sociedade atual, ou ao menos boa parte dela, e mesmo dentro dessa parte, cada um por motivos diferentes, sonham de forma utópica com o total controle dos conflitos, com a normatização das psiques, com o socialismo que levaria a um Estado total. Acontece que de fato a psique humana, por sua natureza, é ferramenta de articulação permanente do fluxo incessante de fatos concretos que lhe circundam. Caberia distinguir aqui a ironia do sarcasmo: a ironia sendo desvelamento pois demonstra que ali estava escondida alguma coisa que poderia ser revelada, e a ironia faz esse desvelameno sim , por isso que ser ironico é uma coisa e ser mentiroso é outra muito difrerente; e o sarcasmo que é mais uma carga emocional de descontentamento com alguém ou alguma coisa mas sem esclarecer o fato objetivo que o fundamenta; a ironia desvela e mostra qual o fundamento, o sarcasmo é espécie de afetação mimética, tal qualo argumento ad hominem, nenhum forma estilistica de linguagem é em si mesmo um mal, a recusa de conceder a o outro seu diretio de expressão sim é um mal. Diante dos dois casos, tanto do sarcasmo quanto da ironia não cabe a recusa ao fundamento real oferecido, mesmo nessas formas, assim como não cabe a recusa do conteúdo de uma denúncia, mesmo se o denúnciante usa de má educação, ou ironia, ou linguagem culta. Os computadores por definição são máquinas burras, agem apenas por comando e a grande ironia é um dia sermos definidos em nossos discursos pelas máquinas e não por nossa capacidade de reconhecer a realidade das coisas, ou um dia sermos definidos pelo estado que é algo , assim como as máquinas, criado por nós mesmos!

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