Início Negociação Greve dos rodoviários de Porto Alegre

Greve dos rodoviários de Porto Alegre

80
0
Desembargadora Ana Luiza Kruse durante as negociações da greve dos rodoviários.

Se a greve é um direito fundamental, ela impõe, por igual, deveres às partes. Um deles, e talvez o principal, é negociar de boa-fé.

No caso específico da greve dos trabalhadores em transportes rodoviários de Porto Alegre, em havendo um sindicato e uma comissão de greve, e tendo as suas lideranças comparecido para negociar perante o Poder Judiciário, o compromisso estabelecido perante a mediadora do TRT, de retorno ao trabalho com 50% dos trabalhadores nos horários de pico deveria ter sido cumprido.

É verdadeiro que as demais partes envolvidas no conflito (Município/EPTC e sindicato das empresas) pouco transigiram: a Prefeitura ao asseverar que a planilha de custos estaria pronta apenas em 12 dias, o que dificulta uma estimativa de reajuste por parte das empresas, ao passo que o sindicato das empresas, ao exigir o trabalho em 100%, pretende, sem transigir, desmobilizar a categoria, o que é, igualmente, uma conduta anti-sindical que deve ser objeto de censura.

Em todo caso é importante observar como as situações se acomodam. Hoje já é possível deslocar-se por toda a cidade através de ônibus clandestinos, alguns dotados inclusive de ar-condicionado e muito mais confortáveis do que os das empresas, com passagens em torno de R$ 3,00 ou R$ 4,00; inferior mesmo ao valor das lotações.

Seria interessante que a Prefeitura ficasse atenta às suas “planilhas de custos”, uma vez que nada indica que estes transportadores estejam fazendo caridade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.