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Dignidade Não Precisa Trajar Toga

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Minha avó tinha um ditado para quando as tentativas de corrigir um erro eram inúteis: “Saiu pior a emenda que o soneto.”

Esta frase cai como uma luva na tentativa patética do magistrado paranaense Bento Luiz de Azambuja Moreira, aquele que não deixou a audiência prosseguir porque o autor – humilde trabalhador, cuja legislação trabalhista protege – calçava chinelos.

Pois bem o dito magistrado ofereceu ao reclamante, Sr. Joanir Pereira, ao final da audiência subseqüente um par de sapatos usados, a título de presente.

Do presente o Sr. Joanir declinou. Invocou para tanto a sua dignidade. E com razão. Nada mais digno do que a pessoa se apresentar com aquilo que é seu. Ainda que seja um mero par de chinelos, mas adquirido com o suor de seu rosto.

Além do mais os sapatos oferecidos pelo juiz eram de péssimo gosto, como de mau gosto também é oferecer de presente produtos usados. Calçados usados se oferecem à caridade e o Sr. Joanir não compareceu em juízo em busca disso: reclamava direitos que entendia ter adquirido com o seu trabalho.

E parece que tinha razão, tanto que o réu resolveu lhe alcançar R$ 1.800,00 a título de acordo.

O juiz ficou com os calçados velhos na mão e despido da dignidade que a toga devia lhe trazer. Talvez o Sr. Joanir devesse ter oferecido a ele os seus chinelos, ou as sandálias da humildade.

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Veja o vídeo do final da história.

5 COMENTÁRIOS

  1. De fato, dolorosamente indigno esse tal juiz, que não aprendeu o mínimo de humildade necessária ao desempenho de uma função pública – e quanto mais alta a função, maior deve ser a humildade.

    E ainda há quem acredite que concurso público mede inteligência…

  2. Mestre Jorge,

    Sempre fico muito satisfeito por ter assinado o seu blog. Se todo magistrado o lesse e seguisse as suas dicas, talvez presenciássemos menos atrocidades como essa que relata.

    Fez muito bem o sr Joanir, provando que não são os sapatos que fazem o homem. E de hombridade o sr Bento tem muito o que aprender.

    Abraço

  3. Como se vê, o juiz paraense, embora culto, não é lá muito inteligente.

    Depois do absurdo que cometeu, tentar contornar a situação com um “presentinho” que, além de um presente de péssimo gosto, mais uma vez ofendia a dignidade do Joanir Pereira, não foi lá uma boa idéia..

  4. Fantástico. O bom de ter descoberto “o mundo dos blogs” foi isso, posso ver a realidade de cada local deste imenso país, bastando acessar alguns bons blogs.
    Todavia, apesar daquele sentimento humano e normal que temos por “torcer pela parte mais fraca”, confesso que entendi a conduta do juiz, e não o tive em má análise somente pelo fato narrado. Como você mesmo vem ressaltando no blog, devemos estar em contato direto com a realidade de nossa sociedade sempre, seja ela boa ou ruim. Eu provavelmente nunca vou perder esse tipo de contato, porquanto dure minha persistência em ser policial. Porém não acho difícil que um magistrado se distancie dos mais pobres, até porque a postura que se exige de um juiz é da autoridade, da exigência de postura na audiência, e como explicado por ele, com uma mudança de cidade, mudam-se os hábitos.
    Mas não entenda este comentário como uma defesa prévia de todos os juízes que porventura tenham comportamento semelhante, como estudante de Direito tenho aulas com magistrados que reputo agradável personalidade e compreensão das realidades diversas que vivemos, mas também tem muitos daqueles que se acham deuses, ou têm certeza que o são. Esses, o tempo trata de apagar ou são pegos em escutas telefônicas pedindo sua parte em dinheiro.
    Os outros são exemplos, e por mais que eu não tenha a mínima vontade de ser juiz, não posso deixar de admirar a profissão quando encontro bons profissionais.

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