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Despesas oficiais e a imprensa

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Que houve abusos na distribuição e no uso do cartão corporativo não se duvida, no entanto os abusos não foram tantos como quer fazer crer a imprensa.

Por exemplo: o saque de valores através do documento, pelo que narra o juiz e blogueiro Carlos Zamith Júnior, é perfeitamente regular, tendo sido o procedimento por ele adotado quando, como Juiz Eleitoral teve que atuar no município de Guajará, que não possui agência bancária, tendo que se aperceber de valores para fazer frente às despesas decorrentes da sua atividade.

Aliás mesmo a aquisição de tapioca, que é indicado pelo próprio Zamith como um desvio de finalidade, também pode não configurar o ilícito que se busca.

Sei de casos de advogados terceirizados de estatais que apenas por a nota fiscal correspondente à refeição à serviço da empresa registrar um prato com camarão (que na cidade de Rio Grande – litoral sul do Rio Grande do Sul – é mais barato que carne de gado), ou sorvete, tiveram o ressarcimento negado, embora o valor fosse inferior ao pago em um buffet simples.

Claro que se poderia então, se houvesse malícia, se ter solicitado que na nota constasse outro produto, ou até outro valor, quando então não se passaria por este desconforto.

É o que me parece ter ocorrido com algumas situações apresentadas pela imprensa. Se o fato de comprar uma tapioca por R$ 8,30 é um dos fatos apontados como ilícitos pelo ministro Orlando Silva, isso somente me faz depreender que a leitura dos extratos do cartão foram efetuados com lupa, identificando-se nesta banalidade um desvio que me parece inexistente.

Entendo que, certamente, se deve aperfeiçoar o procedimento, apurar desvios e punir os culpados. No entanto não podemos passar recibo de tolos frente a uma imprensa que não sabe distinguir um verdadeiro desvio de uma mera refeição barata e coloca todos na mesma lama sem a preocupação de checar os fatos ou de retificar equívocos.

Atualização: Este artigo já estava pronto e agendado para a publicação quando fiquei sabendo da última novidade sobre uso do cartão corporativo: o pagamento de vinte bailarinas por um servidor federal. O fato mais grave em relação a tal notícia é que o servidor, embora já tivesse cometido irregularidades desde 2003, em 2006 ainda permanecia vinculado à União, e, pasmem: portando um cartão corporativo!

1 COMENTÁRIO

  1. Governar na Era da Informação…

    Estava conversando com um colega de trabalho, servidor público federal como eu, e em determinado momento ele me disse que na época dos militares ele era mais feliz, pois (para ele) havia menos corrupção, o salário dos servidores era melhor…

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