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Homenagem a Moacyr Scliar

Moacir Scliar

Não conheci pessoalmente Moacyr Scliar. Moro perto do Bom Fim – bairro tradicional de Porto Alegre, com muitos moradores judeus – e, por consta disto, eu e Scliar buscávamos nossos livros e encomendas na mesma agência de Correios. O funcionário que me atendia, portanto, era o mesmo que a ele e, seguidamente, fazia elogios à fidalguia do imortal.

Faço esta pequena referência porque para mim o tratamento aos mais humildes revela muito mais de uma pessoa do que uma extensa biografia.

Quando eu estava elaborando um trabalho para a minha especialização recordei de uma observação feita por Scliar em sua coluna na Zero Hora sobre a Constituição de Weimar, após pesquisar incansavelmente na internet, sem sucesso, resolvi, um pouco duvidoso do sucesso, encaminhar uma mensagem ao endereço eletrônico do escritor, divulgado junto com seus textos no jornal gaúcho. Para minha surpresa a mensagem foi respondida muito brevemente, com a remessa, em anexo, do texto solicitado.

Jorge: obrigado pelo e-mail e pelo interesse em meu texto, que segue anexo (foi publicado no 1 de maio…). Sugiro-te que pesquises um pouco sobre o assunto, porque citei de cabeça. Desejo-te êxito na monografia!Abrs. Moacyr

Não tenho a autorização do autor ou do jornal, no entanto, creio que em homenagem a ele não haverá probremas na sua divulgação, quanto mais que relacionado ao tema principal deste blog: o trabalho humano.

Abaixo, portanto, o texto, com o qual homenageio o escritor.

Mas o que é, mesmo, trabalho?

Moacyr Scliar

Toda efeméride envolve um elemento de culpa. Há um Dia da Mulher, mas não um Dia do Homem, há um Dia do Índio mas não um Dia do Branco. O Dia do Trabalho não foge à regra; homenageia operários norte-americanos mortos nos conflitos de Chicago trabalhistas em 1886.

“Ganharás o pão com o suor do teu rosto”. A sentença divina reflete uma concepção que persistiu por muito tempo. Trabalhar era um castigo, do qual os mais espertos tratavam de se livrar, empurrando-os para outros – escravos, servos – , e ganhando dinheiro com isso. Com a Revolução Industrial o processo acelerou-se espantosamente. Nas fábricas, milhares de operários trabalhavam dez, doze, catorze horas. O movimento socialista foi a natural conseqüência dessa sombria situação. Se os trabalhadores eram maioria, a eles caberia tomar em suas mãos os destinos da humanidade: “Operários do mundo, uni-vos. Nada tendes a perder a não ser vossos grilhões.”Isto não aconteceria sem a luta de classes postulada por Marx: na batalha final os trabalhadores, vitoriosos, assumiriam o poder. Foi o que Karl previu. O que ele não previu foi a capacidade de adaptação do capitalismo, um regime econômico no qual a inteligência e a esperteza desempenham um papel não pequeno. Líderes do “status quo” deram-se conta de que a exploração desenfreada da mão-de-obra acabaria por matar a galinha dos ovos de ouro. Bismarck, o “chanceler de ferro” da Prússia, foi o primeiro a criar um sistema de proteção social. Quando os “junkers”, os grandes proprietários de terra protestaram, replicou: “Estou salvando os senhores dos senhores mesmo.” Um exemplo que Getúlio Vargas seguiu aqui no Brasil. Mesmo assim, em muitos países o comunismo chegou ao poder mediante revoluções. O resultado, como mostrou a antiga União Soviética, foi desastroso e paradoxal: na China, o comunismo serviu para preparar a mão de obra dócil e obediente de que o capitalismo globalizado precisa.

Mas o pior de tudo é o desemprego. Com a automatização e com a internacionalização da economia tornou-se difícil, quando não impossível, conseguir uma vaga no mercado de trabalho – uma expressão, aliás, que não deixa de ser irônica, porque um dos sonhos socialistas era justamente acabar com o mercado. Daí o desemprego, que continua alto (cerca de de 17%)m daí a informalidade. Os sindicatos perderam muito de sua força e a esquerda hoje prefere, não sem motivos, trabalhar no governo do que nas portas de fábrica. E trabalho já não é castigo, é prêmio. Digam para um cara na rua: “Vai trabalhar, vagabundo” e ele responderá, ansioso: “Mas onde, onde?” Pergunta que o país precisa urgentemente responder.

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Alteração das varas é matéria da ZH

Confome o conteúdo da matéria não há a intenção de o Tribunal proceder em qualquer alteração antes do final do semestre. Nada obstante de concreto já se pode verificar que a Vara de Rosário do Sul, vaga na mesma data da 1ª de Uruguaiana não está em processo de provimento, ao passo que Uruguaiana já teve publicado o edital de remoção.

Por conta da intenção do TRT da 4ª Região de extinguir determinadas unidades judiciárias do Estado, transformando varas do trabalho em postos, fui ouvido pela Zero Hora de Porto Alegre, tendo a matéria sido publicada nesta terça-feira (17/02) na página 08 do periódico.

TRT estuda extinção de nove varas do Trabalho (ZH 17/02)
TRT estuda extinção de nove varas do Trabalho (ZH 17/02)

Aliás por este aspecto se pode até afirmar que a carreira dos juízes, em especial substitutos, também pode emperrar. A abertura de edital para remoção é o primeiro passo para que, rejeitada pelos juízes titulares, a sua vaga seja destinada a promoção. Assim não se abrindo a vaga de Rosário pelo menos um juiz substituto verá a sua promoção tardar um pouco mais.

Isso sem se falar nos candidatos já aprovados no último concurso para Juiz do Trabalho e que, próximo ao fim da sua validade vêem a sua vaga ser reservada para uma pendenga que pode se arrastar até por anos, no caso de que algum município prejudicado resolva contestar na Justiça a remoção da unidade judicial nele situada.

Leia a matéria na página de Zero Hora: TRT estuda extinção de nove varas do Trabalho. Tribunal estuda transformar divisões no interior do Estado em postos.

Eu na Zero Hora

Eu já escrevi aqui coisas muito mais interessantes e, no meu entender, muito mais polêmicas. No entanto o que atraiu o interesse da Zero Hora para o meu blog foi, pasmem, um esclarecimento sobre um email corrente.

O artigo foi aquele sobre o babaca de Porto Alegre, no qual eu esclareço que um email, falsamente atribuído a uma professora universitária conhecida, não é de sua autoria, e rendeu uma página inteira na Zero Hora do último domingo (reprodução abaixo).

Interessante é que, ao contrário de mim, a Zero Hora, embora tenha referido que deu uma olhada no meu blog, não informa o seu endereço, coisas da mídia tradicional…

Texto ZH01
Texto ZH02

Atualização: Fui contatado ontem (05/12) por Franciele do Jornal Zero Hora. O contato se deu em virtude da Pesquisa de Precisão Jornalística através da qual a empresa busca verificar perante as suas fontes se o conteúdo publicado correspondeu à informação prestada. Achei a situação muito interessante a aproveitei para reclamar da ausência do link, o que foi devidamente registrado.

Algemas neles

A Zero Hora de ontem (14/07) destaca, falando sobre prisões de criminosos do colarinho branco, que juristas identificam uma violação das garantias constitucionais o uso de algemas em pessoas de pouca periculosidade no momento de suas prisões.

Todavia a utilização de algemas, em momento algum, pode ser considerada violadora de quaisquer garantias que sejam. Até porque a imobilização do detido vem ao encontro de sua própria segurança, pois não é possível antecipar o comportamento de uma pessoa que, de repente, tem a sua liberdade civada.

O que pode ser considerado como violador das garantias é a exibição da mesma prisão pela imprensa, o que não pode ser impedido pelas autoridade, tendo em conta a liberdade da informação, mas que pode, muito bem, ser limitada pelos próprios meios de comunicação. Assim a crítica velada do jornal deveria ser, muito mais acertadamente, uma autorcrítica.