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Amanhã ponha seu celular na caixa

Photobucket
Muitos celulares

Esta notícia de que “O Tráfico” teria determinado que os eleitores de suas zonas de influência fotografassem a urna eletrônica após seu foto, para comprová-lo, me parece mais um destes emails descrevendo novas formas de assalto que eu freqüentemente recebo, em que se descreve uma situação extremamente criativa, muito verossímil, mas que, excetuando-se através do próprio email, nunca se teve conhecimento de ter sido colocado em prática. 

Justamente porque, muitas vezes, exige muita elaboração dos criminosos (normalmente a simulação de um defeito no veículo da vítima, provocado em uma situação anterior, que a levaria, mais adiante a ter que pará-lo em um local com poucas condições de segurança), ao passo que com o uso da força e armas, poderiam praticar o mesmo crime com maior produtividade. 

No entanto não vejo qualquer razão para não cumprir a determinação dos juízes eleitorais e deixar o celular ou em casa ou na caixa que as secções vão disponibilizar. 

O “crime”, se non è vero, è ben trovato e cumprir espontaneamente uma determinação judicial, ainda que pareça um pouco ridícula, às vezes é o meio mais simples de nos livrarmos de uma incomodação desnecessária.

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Revista FEED-SE democracia

Revista FEED-SE Democracia
Revista FEED-SE Democracia

A semana que se passou foi extraordinariamente ocupada para mim. Além das tarefas rotineiras como dar aulas na universidade, audiências na Vara e assistir às aulas do mestrado, ainda tive que elaborar e corrigir as provas, publicar uma série de sentenças (sempre é bom fazê-lo dentro do mês) e re-corrigir um paper que já havia entregue. Isso sem falar no prazo exíguo para terminar de reler e complementar o capítulo para o livro sobre o Processo Eletrônico, coordenado pelo meu amigo Pepe Chaves.

Tudo mais ou menos esquematizado na cabeça… achava que sim, daria para cumprir tudo e permanecer mais ou menos vivo. Até que a seguinte mensagem chegou, assinada pela Lu Monte:

Jorge, sério, pelamordedeus, faz o artigo sobre a Nova Corja e o imbróglio todo pra Feed-se? Diz que sim, siiiiiim? Plis, plis, plis?

Ela já havia me referido à nova edição da revista e, claro, que eu gostaria muito de escrever nela. No entanto o monte de compromissos havia-me feito calar no lugar de me oferecer. Agora, no entanto, eu era formalmente convocado e não é fino rejeitar a um convite de uma dama.

Aceitei, mas sob a condição de que ela me daria as diretrizes. Ela topou e me enviou uma série de sugestões. Aliás a sua esquematização foi tão boa que me restou pouca coisa para deliberar. A idéia era tratar do assunto do A Nova Corja que inclusive eu já havia abordado aqui. Por isso mesmo se exigia uma abordagem diferente. Assim, até para ter uma visão mais panorâmica do tema achei interessante, trocar idéias com as pessoas envolvidas, ou seja os autores do A Nova Corja, além do Gravatai Merengue, que divulgou a sua situação, e o Arthurius Maximus, que tem um blog com um conteúdo bastante semelhante aos demais.

O resultado foi publicado ontem e a revista pode ser baixada por aqui, ou através de seu próprio site.

Aproveitem enquanto eu ainda não fui “cassado” pelo sindicato.

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Empregos x votos

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A disputa sem disfarces do PMDB por cargos na estatal Petrobrás e a iminência de a Vale do Rio Doce se tornar a maior empresa brasileira na Bolsa de Valores expõe uma mácula da nossa política nacional: o interesse privado suplantando o público.

Acerca disso eu já havia referido em um dos inúmeros artigos sobre a renitência de Calheiros em deixar a Presidência do Senado, ainda que para isso a pauta da Casa (e assim decisões importantes para o país) ficassem em segundo plano.

No entanto o que se demonstra agora (sem qualquer constrangimento) é que empresas nacionais são, explicitamente, loteadas entre partidos políticos para que se viabilizem votações cujo interesse para o país é, no mínimo, discutível.

Isso nos leva a repensar, inclusive, nossa posição acerca de privatizações, uma vez que, obrigando-se a ter lucro, as empresas em mãos da iniciativa privada deixam de ser moeda de troca para obtenção de vantagem por este ou aquele partido.

Aliás uma empresa que se poderia, de imediato, propor a privatização é a Infraero, que, na verdade, não passa de uma administradora de shoping centers travestida de gestora aeroportuária.

Na medida em que o usuário tenha uma empresa privada como fornecedora de serviços de aeroportos, ficará muito mais fácil demandar desta (em juízo inclusive) um atendimento no mínimo correspondente ao elevado valor cobrado, o qual é, na sua grande parte, contingenciado pelo governo para financiar outras despesas, deixando literalmente órfãos os consumidores deste serviço.

Aliás, com todas as críticas que se podem fazer às concessões rodoviárias, ao ingressarmos em uma estrada pedagiada temos ciência de que contaremos com uma rodovia minimamente conservada a sinalizada, sendo certo que eventuais danos ocasionados por defeitos do serviço serão suportados pela administradora.