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Por que é melhor ser Charlie?

je suis Charlie

Imprensa livre e liberdade de expressão são direitos fundamentais que devem ser defendidos por todos. A maior parte das grandes ideias atuais foram, em algum momento, contra-majoritários. Quem defende a censura ou justifica, de qualquer forma, o atentado à revista Charlie Hebdo, mesmo na forma em que o faz, por exemplo, o Frei Leonardo Boff, está, em alguma medida, defendendo o statu quo, o geocentrismo ou o criacionismo.

Ninguém está obrigado a considerar de bom gosto imagens como a da capa em que representações da Santíssima Trindade são representadas em uma relação homossexual, no entanto a melhor resposta para o mau gosto ou o desrespeito é o desprezo.

Não vou citar Voltaire, até porque a frase, segundo se diz, lhe é atribuída de forma equivocada, contudo, com certeza, teremos chances de obter muito mais ganhos do que prejuízos com a liberdade de pensamento e da expressão deste.

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Guantânamo

A “denúncia” do New York Times acerca de um dos prisioneiros libertados do campo de concentração norte-americano se ter tornado um dos líderes da Al Qaeda foi uma notícia que  me chamou a atenção. Segundo o periódico isso põe em dúvida a correção da decisão do novo presidente, Barack Obama, de desativá-lo.

Contudo qualquer pessoa que tenha ficado ainda que poucos dias em Guantânamo, submetida às condições que foram narradas na entrevista de Mahvish Khan, publicada na Superinteressante que está nas bancas, se tornará, obrigatoriamente, um inimigo dos Estados Unidos, quando não de toda a civilização ocidental.

Só um trecho para não dizer que estou exagerando:

Vários são submetidos a buscas nas cavidades do corpo na frente dos outros. São até 15 buscas desse tipo em um só dia.

Quem que depois de ter as suas cavidades remexidas por 15 vezes por dia na frente da galera não seria o primeiro candidato a explodir um carro bomba bem na frente do primeiro ianque que aparecer?

Aliás até Hollywood, de uma certa forma, justifica o terrorismo. Quem não se lembra de como é o final de A Reconquista (Battlefield: Earth), com John Travolta, no qual a espécie humana se vê livre da raça de extraterrestres que a subjuga justamente realizando um bem sucedido ataque terrorista ao enviar ao planeta natal dos inimigos uma bomba atômica? Trailer abaixo.

Mas é claro: a história é contada pelos vencedores…

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Tarso e a crise com a Itália

Tarso Genro
Foto de Beto Barata, Agência Estado.

A postura do Estado Brasileiro, manifestada através da decisão do Ministro da Justiça Tarso Genro, no pedido de deportação do terrorista italiano  Cesare Battisti é, de fato, supreendente.

A grande questão que se põe é que há uma decisão judicial na Itália contra Battisti que o governo brasileiro não reconhece. Ora permitir-se a um Estado não reconhecer uma decisão do Poder Judiciário de outro é um precedente perigoso, principalmente porque os Estados Europeus têm uma democracia muito mais consolidade que a dos jovens países latinoamericanos, o que desde já lhes autorizaria negar validade a quaisquer decisões dos nossos tribunais pela mera divergência entre os diplomas legais.

Se Battisti foi, de fato, condenado à revelia, certamente ao se apresentar ao seu país de nascimento contará com os remédios processuais adequados. O que não se pode é dar guarida a um assassino condenado, ainda que os seus crimes tenham tido um fundamento ideológico.

Aliás, como bem se assinala, o ministro não teve os mesmos cuidados ao restituir ao governo cubano dois atletas, os quais, inclusive, poderiam, ao retornar, serem condenados à pena de morte, que existe no país e que se aplica aos acusados de deserção, ou seja justamente à situação deles.

Atualização:  O Arthurius Maximus também falou sobre isso lá no Visão Panorâmica.

Atualização2: Não posso deixar de citar, apud Gravataí Merengue (que está me devendo dois pastel e um chopps em Sampa), a reflexão do Caetano Veloso sobre o assunto, publicada em seu blog pessoal, Obra em Progresso:

E ainda fiquei com pena de não ter espaço para mais do que simplesmente dizer que os pesos e medidas violentamente desproporcionais usados pelo governo Lula nos casos dos atletas cubanos (que pediram asilo e foram mandados de volta em avião venezuelano) e o do guerrilheiro italiano condenado em sua pátria por quatro assassinatos (ou execuções…). Não gosto desse clima. É nessas horas que me sinto um liberal inglês.