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Xuxa vs. Google

Mais do que lamentável a pretensão da apresentadora Xuxa Meneghel de apagar o seu passado através de um pedido de censura aos resultados de busca do Google.

Embora retirado de circulação e com raras cópias à disposição não pode “Rainha dos Baixinhos” querer que se casse o direito dos internautas de se informar quanto à realização do filme Amor Estranho Amor e, principalmente, quanto ao fato de que havia no seu roteiro, uma relação da sua personagem com um adolescente.

A indexação do filme como pedofilia e relacionando a apresentadora a esta prática pelas ferramentas do Google, decorre apenas da interpretação dada por quem publicou algo a este respeito, não se podendo punir o portal pela mera otimização da pesquisa.

A decisão é, de fato, provisória e a tendência é que venha a ser derrubada. É interessante que o Google não tem interesse em ter a sua marca associada à pornografia, tanto que não permite este tipo de publicação no YouTube ou em outras páginas do grupo, além de se negar a exibir anúncios em sites que façam divulgação de pornografia.

Não obstante duas das grandes controvérsias pelas quais passou a empresa no Brasil dizem, exatamente, respeito a práticas pouco ortodoxas por parte de nossas celebridades. Primeiro foi a tórrida cena de sexo em público de Daniela Cicarelli nas areias de uma praia espanhola, publicada no YouTube, e agora com a vídeo erótico de Xuxa com um pré-adolescente.

Aliás não deixa de ser paradoxal que Xuxa, em um momento afirme que não processará um outro gigante da Rede, por ser contrária à censura, mas, em um breve espaço de tempo, apresente este processo contra os resultados do Google.

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Em épocas de declaração de Imposto de Renda…

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Vídeo de Daniella Cicarelli fazendo sexo pode retirar YouTube do ar!


Decisão judicial não se discute: cumpre-se. Esta é uma máxima forense que não custa observar. O processo judicial tem diversos remédios (até demais), mas xingar o juiz não faz parte. Até porque não é ele que inventa o processo, apenas tem o encargo (pesado encargo) de decidir, levando em conta os fatos e provas apresentados pelas partes. Igualmente defender corporações milionárias (no caso agora o Google) se encontra fora do propósito deste blog.

Todavia devemos apelar para o bom senso. O caso apresentado, e a sua conseqüência, consoante noticia o sítio INFO On Line, a retirada “do ar” do sítio YouTube por exposição do vídeo em que a atriz Daniela Cicarelli praticaria sexo com seu namorado é, conforme inclusive a faxineira do meu prédio um “abesurdo“.

Qualquer usuário, ainda que eventual da Rede Mundial de Computadores, sabe que o YouTube tem política que veda a vinculação de vídeos de natureza erótica ou sexual, sendo policiado pelos próprios usuários. Igualmente sabemos que o usuário coloca o seu vídeo on line, independentemente de qualquer ação do sítio, que meramente disponibiliza o espaço para tanto, o que tem sido muito bem utilizado por uma grande gama de pessoas e entidades, inclusive com finalidade cultural.

De outra parte a prática de atos obscenos, em local público, por personalidade de fama internacional, não por si, mas em decorrência de seu breve enlace com o jogador Ronaldo Nazário, não pode ser considerada violação de privacidade. Pelo contrário a modelo é que deveria ser processada por atentado ao pudor, não os sítios de internet que apenas reproduziram o que todos os banhistas presentes no balneário que foi cenário da tórrida cena testemunharam.

Publicado originalmente em 04 de janeiro de 2007.

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Robin Willians, Brasil e sexo.

Ainda repercute a declaração de Robin Willians sobre o Brasil ter amealhado as Olimpíadas de Chicago com a utilização de 50 strippers e meio quilo de pó. A jornalista Leila Cordeiro, que vive nos EUA, escreveu um artigo indignado.

No entanto, antes de ficarmos furiosos, temos que examinar tudo com uma certa distância científica. Em primeiro lugar tanto Willians quanto Letterman, âncora do programa no qual aquele deu tal declaração, são humoristas. Ou seja tentam dar um colorido divertido às suas manifestações, sendo comum que para isso se apele ao politicamente incorreto, como foi o caso do @RafinhaBastos ontem fazendo piada sobre o suicídio de Leila Lopes.

E agora, convenhamos, para quem vê de fora não é muito difícil confundir strippers com as nossas mulatas das escolas de samba, embora nós saibamos que enquanto estas demonstram a manifestação cultural de um povo de um país tropical, aquelas têm, exclusivamente, a pretensão de despertar a libido do seu público.

Contudo a grande verdade é que as mulheres brasileiras são sexualmente muito melhor resolvidas que, por exemplo, as estadunidenses, que não hesitam em prestar queixa por assédio sexual por qualquer olhar mais lascivo de um homem, mas que nem por isso se expõe além do razoável. Tanto assim que um programa mundialmente popular, o Big Brother, na sua versão nacional é muito mais familiar do que seus similares de outros países, nos quais cenas de nudez proposital e sexo explícito são bastante freqüentes, como se pode verificar através de uma rápida pesquisa no Google.

Caipirinha

De outra sorte é absolutamente verdadeiro que a imagem que se vende do Brasil para turistas envolve, sim, a sensualidade da brasileira e este tipo de marketing, queiramos ou não, foi o que influenciou o comentário dos humoristas.

Finalmente temos que reconhecer que o Brasil, agora emergente econômico, entrou, definitivamente, no cenário internacional e, bem ou mal, estão todos falando de nós. Façamos deste limão uma limonada, ou melhor, uma caipirinha!

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O Solene Corno

O Minotauro, via Wikipedia
O Minotauro, via Wikipedia

Aos que ficaram atônitos com a decisão judicial que chamou em uma sentença de “solene corno” um policial federal que resolveu apresentar a sua inconformidade com a sua situação à Justiça, informo que eu também.

Para quem não sabe a questão é mais ou menos a seguinte: o cidadão foi traído pela sua esposa e, inconformado, resolveu apresentar ao Judiciário pedido de indenização contra o “cúmplice” da traição, ou seja o “Ricardão”. Referem as notícias que os fatos que teriam levado o policial a pleitear a indenização teria sido o fato de que o “Ricardão”, ao ter sido peitado pelo suposto “corno”, teria entrado em contato com a Corregedoria da Polícia Federal, gerando uma investigação pelo órgão e, posteriormente, uma ação criminal, contra ele, ou seja alguns prejuízos, inclusive de natureza material, uma vez que, por decorrência da ação criminal contra si teve, certamente, que se socorrer de advogado para fazer a sua defesa, etc.

Nada obstante, como seria perfeitamente plausível, uma vez que não há garantia de que uma ação seja procedente apenas porque assim nos pareça, no caso referido foram os pedidos de indenização indeferidos. Contudo os fundamentos pelos quais o indeferimento veio é que são contestáveis.

A explicação para uma sentença tão insólita, que trazia, justificativas de ordem sociológica, familiar e, inclusive, fazia referências à literatura internacional, foi dada posteriormente, quando o juiz que a assinou informou que a redação era de um juiz leigo que, por se coadunar com seu entendimento, foi homologada.

Ou seja algo assim como “terceirização dos fundamentos sentenciais” o que, se é legal, não me parece moral. Não que a sentença deva ser sempre fruto da inspiração do magistrado, assim como não o são os despachos assinados pelos membros do Executivo ou as leis dos membros do Legislativo. Contudo o juiz que a assina, ainda que feita com o auxílio de seus assessores, deve por ela se responsabilizar, não podendo atribuir a terceiros o seu conteúdo ideológico. Até mesmo porque é ele, por seus atributos, que tem o poder do Estado de dizer o Direito, não os podendo delegar a outros.

Quanto ao “solene corno”, como diz meu colega Carlos Zamith Júnior, ele acabou, por sua própria iniciativa, mas com um empurrãozinho da sentença insólita, se tornando, de “corno regional” em “corno nacional”, o que, sem sombra de dúvidas, agravou, em muito, seu dano, podendo, inclusive, agora vir a se responsabilizar não mais apenas o Ricardão anteriormente demandado, mas também o Estado, uma vez que não lhe compete, ao decidir sobre um conflito fazer um juízo depreciativo das partes além dos limites da demanda.