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O que se passa na cabeça do juiz?

Quem assume a defesa de um caso alheio seja como advogado, seja desempenhando um outro papel qualquer, tem um compromisso em relação ao resultado. 

Via de regra uma parte em uma ação jurídica não tem a intenção de defender uma bandeira, ela quer algo muito mais simples, quer resolver a sua situação jurídica, de preferência de forma o mais rápido possível. 

Exatamente por isso é importante se ter uma noção do que pode se passar na mente do julgador, usando isso a favor do seu cliente.

Conforme Haidt é bastante fácil a partir de alguns comportamentos perceber qual a tendência ideológica de um indivíduo, o que, em se tratando de quem pode trazer a solução para um litígio,  pode colaborar para se saber exatamente como lhe colocar o problema e obter a melhor solução. 

O psicólogo Jonathan Haidt debruçou-se sobre um tema que nos assombra tanto atualmente que é o grande hiato ideológico que se formou entre esquerda e direita. Sem pretender resolver definitivamente todos os problemas ele identificou algumas características distintas na mente – ou forma de pensamento – de progressistas e conservadores ou, se preferirem, pessoas de esquerda e direita. 

Haidt identificou cinco pilares principais de análise da moralidade por estes dois grupos:

1. Danos e cuidados. 

2. Igualdade e reciprocidade. 

3. Lealdade ao grupo. 

4. Respeito à autoridade. 

5. Pureza e santidade. 

Conforme Haidt, enquanto os conservadores têm todos estes canais fortemente sintonizados, os progressistas ou de esquerda têm os dois primeiros mais acentuados. Por conta disso podemos, por exemplo, porque uma obra de arte “herege” recebe tantas críticas do pessoal de direita, mas é festejada pela esquerda, assim como o porte de armas e a legítima defesa têm tanta importância para a direita, mas é praticamente rechaçada pelas pessoas ditas progressistas. 

Estes aspectos dizem respeito ao modo de funcionamento do cérebro. Provavelmente as pessoas podem até tentar controlar e atenuar alguns de seus comportamentos, todavia o que estamos explorando é, exatamente, como usar a forma de pensamento do julgador em benefício da sua tese. 

Antes de mais nada para podermos aproveitar isso é necessário conhecer. 

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Direita ou esquerda?

O Pedro Dória escreveu hoje sobre a perplexidade que gera no país a dicotomia PSDB x PT, como se fosse um debate direita x esquerda, quando, na verdade, ambos os partidos teriam as mesmas origens, se enquadrando possivelmente sob uma mesma bandeira, acaso tivéssemos um bipartidarismo como o estadunidense.

É verdade, ocorre, contudo que a administração FHC se destacou pela até um certo ponto desmedida privatização, inspirada na cartilha do Fundo Monetário Internacional, fortemente inspirada no pensamento Liberal, por conseguinte de direita.

Lula na medida em que manteve muito da administração anterior (até para não “desandar a maionese”, o que quase aconteceu nas vésperas de sua eleição) acabou sendo considerado mais para a direita, embora para os conservadores de plantão, apenas pela sua origem sindical, sempre foi combatido como se fosse um extremo socialista. Aliás algumas das medidas consideraras por Dória como sendo “de esquerda”, como os programas de renda mínima, estão na doutrina de pensadores liberais, como Hayek, um tipo de papa (ou santo) do Liberalismo.

A verdade é que no nosso país, infelizmente, muitas coisas não funcionam como nos modelos alienígenas, e acabamos tendo, como dizia Brizola, um socialismo moreno, e direita e esquerda também “adulteradas” ou, como se diz em gastronomia, em conformidade com o paladar da região.

Em verdade o grande problema das esquerdas brasileiras, e da verdadeira direita, é a falta de aglutinação decorrente do pluripartidarismo, no qual meras tendências dentro de tal ou qual partido acabaram se tornando partidos, um pouco por causa do “fundo partidário”, outro pouco por causa do “estrelismo” de personalidades, no que perde, como sempre, o eleitor.

Exemplo disso foi a expulsão dos radicais do PT e a fundação do PSOL.