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Os Miseráveis no cinema.

Ontem assisti a versão cinematográfica d’Os Miseráveis. Fiquei bastante impressionado com o filme e um pouco envergonhado por, embora já tenha assistido também o Musical, aqui mesmo no Brasil, ainda não tenha lido o livro.

Uma das coisas que mais impressiona na obra de Vitor Hugo é que Os Miseráveis não possui um autêntico vilão, senão o próprio Estado e uma legislação criminal demasiado severa e uma legislação trabalhista ainda inexistente.

Jean Valjean e Javert são, em verdade, duas vítimas desta lei. O primeiro por, sendo pobre, ter sofrido uma severa condenação – cinco anos pelo roubo de um pão para alimentar o sobrinho faminto, agravado até 19 por sucessivas tentativas de fuga – além de uma pena perpétua ao ser documentado como perigoso e, portanto, sem conseguir, em uma França assolada pela miséria, trabalhar dignamente.

Javert, por sua vez, é atormentado pelo cumprimento da lei. Um soldado incorruptível que acredita cegamente nas regras que jurou observar. Para Javert teria sido melhor morrer nas mãos de Jean Valjean, a quem as leis tacharam de perigoso, e portando incorrigível, do que passar pela perplexidade de ter sua vida poupada, tanto que, ao retribuir o favor, deixando de Jean Valjean escapasse, e assim violar a sua lei, Javert tem uma crise tão grande que acha melhor por fim à sua vida.

Tampouco se podem considerar vilões o casal Thénardier, ambos também vítimas da miséria e que por conta disso se encontram desvinculados de toda moral e ética.

Quem assistir não vai perder seu tempo ou dinheiro.

 

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Direito Nerd: Star Trek e os Direitos Humanos, de Robert Alexy

O Professor Manoel Atienza considera que, ao contrário das ciências naturais, o Direito não  se presta a investigação por jovens. Em suas aulas, na Universidade de Alicante, afirma que a criatividade dos jovens é útil para ciências como Física ou Química, mas que o Direito demanda experiência.

Não concordo com ele. Aliás o que me parece é que no Direito falta exatamente esta curiosidade em fazer uma exploração maior; uma investigação filosófica tendo em consideração, por exemplo, situações extremas como, por exemplo, o reconhecimento de Direitos Humanos ou mesmo simples direitos a seres inteligentes não humanos, extraterrestres ou artificias.

Tenho investigado muito neste sentido, mas ainda não havia me dado conta que o festejado jusfilósofo alemão, Robert Alexy já perambulou por esta área, em seu Star Trek e os Direitos Humanos, do qual o exame da situação jurídica do andróide Data é um dos capítulos principais.

Quem ficou curioso e não se animou ainda a comprar o livro pode ter uma ideia de seu conteúdo lendo a palestra de seu co-autor, Alfonso Garcia Figueroa, em uma página especializada na cultura trekker.

Filmes trabalhistas: Pão e Rosas

Bread and Roses - adorocinemaNesta próxima semana, prosseguindo o ciclo de Filmes Trabalhistas na AMATRA IV, vamos exibir o filme Pão e Rosas.

A fita retrata a luta de trabalhadores de serviços de limpeza em prédios comerciais na Califórnia em torno da sua adesão ao respectivo sindicato. A utilização de imigrantes ilegais e a manipulação deste fato pelos empregadores e, em especial, pelo administrador, dá um realce especial no enredo que permite se estudar não apenas questões atinentes à liberdade sindical, mas, igualmente, ao assédio moral e, inclusive, sexual existente.

Ficha técnica:

Título original: (Bread and Roses)
Lançamento: 2000 (Inglaterra)
Direção: Ken Loach
Duração: 110 min
Gênero: Drama
Estúdio:ARD / Alta Films Productions / BSkyB / British Screen / Channel Four Films / Degeto Film / Tornasol Fillms, S.A.
Direção: Ken Loach
Roteiro:Paul Laverty
Produção:Rebecca O’Brien
Música:George Fenton
Fotografia:Barry Ackroyd
Direção de arte:Catherine Doherty
Edição:Jonathan Morris

Elenco:
* Pilar Padilla (Maya)
* Adrien Brody (Sam)
* Elpidia Carrillo (Rosa)
* Jack McGee (Bert)
* George Lopez (Perez)
* Alonso Chavez (Ruben)
* Monica Rivas (Simona)
* Frankie Davila (Luis)
* Benicio del Toro
* Tim Roth
* Robin Tunney

Curiosidades:

1) O nome do filme faz referência a uma greve do sector têxtil em Lawrence, Massachusetts, que uniu dezenas de comunidades imigrantes foi, em grande parte, conduzida por mulheres, em Janeiro-Março de 1912, e que ficou conhecida como Greve das Rosas e do Pão.Tanto a subjugação da mulher no mundo do trabalho quanto a complexa questão das  imigrações clandestinas, e precarização das relações de trabalho, estão sustentadas pelo modo de produção vigente, voltado prioritariamente ao lucro financeiro. Com sua aguda crítica a esta realidade, o filme ressalta as conseqüências drásticas do fato do homem não ser o objetivo final da máquina capitalista.

2) A atriz Pilar Padilla (Maya) – As atrizes de Los Angeles, cuja idade e conhecimento do inglês se adequavam ao papel de Maya, não tinham a necessária formação, naturalidade e consciência de classe que a personagem exigia.Pilar Padilla, a jovem atriz mexicana que finalmente pegou o papel, não falava inglês e portanto não foi considerada a princípio. Entretanto, durante as improvisações realizadas por Loach no México era ela quem contracenava com as outras candidatas. Aos poucos e bastante naturalmente sua presença começou a roubar a atenção das câmeras até que se ficou óbvio que ela era a atriz de que precisávamos para o papel de Maya, uma personagem aguerrida e independente. Como Loach diz, “Pilar é muito direta, pode-se ler seus pensamentos. Tem grande espontaneidade e magnitude resplandescente”. Depois de fazer um curso intensivo de inglês de dois meses em São Francisco, Pilar chegou a Los Angeles para fazer seu primeiro filme. Sua experiência anterior como atriz foi em peças do teatro independente no México. Pilar revelou que o trabalho com Loach foi a melhor experiência de sua vida “Acho que o segredo está na confiança que ele passa, confiança que se espalha por toda a equipe. Sempre pensei que filmes fossem para cameramen e diretores, não para atores. Mas agora sei que, para Loach, os atores vêm primeiro. Com Ken o set se torna um templo. Sou muito agradecida ­e sortuda”.

Leia mais curiosidades no site webcine.

Veja o trailer do filme:

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Filmes trabalhistas: Germinal

Germinal, cartaz do filme
Germinal, cartaz do filme

Prosseguindo ao ciclo de exibição de filmes trabalhistas na AMATRA IV, nesta quarta-feira, nesta semana exibiremos Germinal, do diretor Claude Berri.

Ambientado na França do século XIX a película descreve a situação dos trabalhadores de minas de carvão nos primórdios da Revolução Industrial.

O carvão, no início da industrialização, teve extrema importância, por ser a fonte de energia para o funcionamento das máquinas.

Não obstante, conforme se verifica no filme, baseado no romance de Émile Édouard Charles Antoine Zola, se verifica uma extrema submissão dos trabalhadores às condições de trabalho, com a exposição não apenas dos homens, mas também de mulheres e crianças, o que pode ser considerado o embrião de uma legislação trabalhista.

Destaque para a formação, igualmente embrionária, dos agrupamentos de trabalhadores, destinados a pressionar os empregadores (no caso desconhecidos donos das minas), a lhes conceder melhores remuneração e condições, fortemente inspirados na doutrina socialista.

O DVD que estava indisponível para venda, foi relançado e está na Livraria Cultura.

Curiosidade: Para escrever o livro em que se baseia o filme, seu atuor Zola viveu dois meses como minerador. Acordando, comendo, bebendo e trabalhando nas mesmas condições que eles. Isso deu a ele um retrato bem realista de como era suas vidas em diversos aspectos.

O texto do livro de Émile Zola está em domínio público e disponível para download (em Francês), ou pode ser comprado na Livraria Cultura.

Ficha Técnica

Título original: Germinal
Gêneros: Drama
Tempo: 170min
Ano: 1993
Direção: Claude Berri
Roteiro: Arlette Langmann e Claude Berri
Elenco:
Gérard Depardieu (Toussaint Maheu)
Jacques Dacqmine (Philippe Hennebeau)
Bernard Fresson (Victor Deneulin)
Jean-Pierre Bisson (Rasseneur)
Laurent Terzieff (Souvarine)
Judith Henr (Catherine Maheu)
Jean-Roger Milo (Chaval)
Jean Carmet (Vincent Maheu dit Bonnemort)
Miou-Miou (Maheude)
Renauld (Étienne Lantier)
Anny Duperey (Madame Hennebeau)

Filmes trabalhistas: Ladrões de Bicicleta

Ladrões de Bicicleta, cartaz de divulgação
Ladrões de Bicicleta, cartaz de divulgação

Prosseguindo ao ciclo de exibição de filmes trabalhistas na AMATRA IV,  nesta semana exibiremos Ladrões de Bicicleta, do diretor Vittorio de Sica.

Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette, 1948) tem como pano de fundo a Itália do pós-guerra. O país está destruído e a população em miséria. Ricci (interpretado pelo ator amador Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera.

No entanto este emprego lhe exige possuir bicicleta. Sem dinheiro, Ricci e sua mulher Maria (interpretada por Lianella Carell) conseguem dinheiro para resgatar da agência de penhores sua bicicleta, que, contudo, é, durante a sua atividade profissional, roubada, originando o enredo do filme, que é a sua busca pelo veículo, juntamente com seu filho, Bruno, interpretado por Enzo Staiola.

Duração: 93min

Ficha técnica:

Direção: Vittorio De Sica
Roteiro:  Vittorio De Sica, Cesare Zavattini, Suso Cecchi D’Amico, Gerardo Guerrieri, Oreste Biancoli e Adolfo Franci

Elenco: Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola,  Lianella Carell e Vittorio Antonucci