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Racismo em Caçadas de Pedrinho?

Estava ouvindo na rádio uma discussão sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato. A história tem a ver com a notícia de que o STF está debatendo a existência de racismo no livro “Caçadas de Pedrinho”.

Cita-se, como exemplo, a passagem em que Emília diz:

“É guerra e das boas. Não vai escapar ninguém – nem Tia Anastácia, que tem carne preta”.

Li praticamente todas as obras infantis de Monteiro Lobato quando estava no colégio. Muitas das quais apenas emprestadas da biblioteca da minha escola. Creio que destas obras, de leitura muito saborosa, desenvolvi o gosto pela literatura, mas nenhum tipo de preconceito.

Bem verdade que a Emília não é nenhum modelo do politicamente correto, pelo contrário, era uma boneca muito metida e, certamente, teria pelo que me recordo, tratado com preconceito burros, porcos, bruxas, etc. além de dar uma atenção especial para nobres, como o Príncipe do Reino das Águas Claras.

No entanto acredito que seja muito difícil se encontrar uma única obra em que se pretenda um pouco de realidade mas que não exista algum embate que de alguma forma fuja do padrão que tendemos a achar aceitável.

Há referência à raça de Tia Anastácia na obra de 1933 como se identificou racismo até mesmo no alienígena Jar Jar Binks de Guerra nas Estrelas. Admitir a censura de uma obra por se encontrar nela elementos de uma prática politicamente incorreta já é ruim. Pior ainda se resolverem mutilar a obra.

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Xuxa vs. Google

Mais do que lamentável a pretensão da apresentadora Xuxa Meneghel de apagar o seu passado através de um pedido de censura aos resultados de busca do Google.

Embora retirado de circulação e com raras cópias à disposição não pode “Rainha dos Baixinhos” querer que se casse o direito dos internautas de se informar quanto à realização do filme Amor Estranho Amor e, principalmente, quanto ao fato de que havia no seu roteiro, uma relação da sua personagem com um adolescente.

A indexação do filme como pedofilia e relacionando a apresentadora a esta prática pelas ferramentas do Google, decorre apenas da interpretação dada por quem publicou algo a este respeito, não se podendo punir o portal pela mera otimização da pesquisa.

A decisão é, de fato, provisória e a tendência é que venha a ser derrubada. É interessante que o Google não tem interesse em ter a sua marca associada à pornografia, tanto que não permite este tipo de publicação no YouTube ou em outras páginas do grupo, além de se negar a exibir anúncios em sites que façam divulgação de pornografia.

Não obstante duas das grandes controvérsias pelas quais passou a empresa no Brasil dizem, exatamente, respeito a práticas pouco ortodoxas por parte de nossas celebridades. Primeiro foi a tórrida cena de sexo em público de Daniela Cicarelli nas areias de uma praia espanhola, publicada no YouTube, e agora com a vídeo erótico de Xuxa com um pré-adolescente.

Aliás não deixa de ser paradoxal que Xuxa, em um momento afirme que não processará um outro gigante da Rede, por ser contrária à censura, mas, em um breve espaço de tempo, apresente este processo contra os resultados do Google.

Censura na Cásper?

A informação de que haverá a possibilidade de se ser processado pela utilização do nome e símbolos de uma instituição não é censura.

Postar artigos críticos contra uma instituição sem se identificar não é liberdade de expressão.

Então se alguém se sentiu intimidado porque está fazendo algo ilícito e resolveu tirar isso do ar, tudo bem.

Agora confundir isso com censura ou violação de sua liberdade de expressão é jogar no lixo a luta de todos aqueles que, de fato, desfraldam a bandeira da liberdade de expressão, botando a cara a tapa para denunciar violações às liberdades civis.

Querem fazer um site “porra qualquer coisa” usem o exemplo do Porra Maurício, que tem ali do lado direito o nome e twitter de seus responsáveis. O anonimato, em um regime democrático como o brasileiro, é a arma dos covardes.

Google vs. China

Cada dia admiro mais o Google. Agora a empresa se dispôs a comprar uma briga com o governo chinês, desafiando a restrição a pesquisas impostas a expressões como "democracia" ou "direitos humanos". Pode não parecer muito, mas o acesso livre ao principal serviço de buscas da internet (e seu eventual bloqueio pelo governo chinês) talvez seja o que falte para que a população já sedenta de informações dê um basta a esta falta de liberdade e comece a pleitear, pelo menos, a possibilidade de experimentar um mundo sem censuras, ainda que apenas pela janela da web

Postado via email from Jorge Araujo no Posterous

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Eu não entendi. Alguém?

Macaco Sócrates
Macaco Sócrates

Hoje passei ouvindo e lendo na imprensa repercussão sobre a decisão do Presidente da OAB nacional de apoiar a iniciativa da Associação Nacional de Jornais (ANJ) para que o Supremo Tribunal Federal (STF) impeça que juízes de primeiro grau ou de qualquer instância do Judiciário imponham censura prévia no País.

Também não gosto de censura e a questão do Estadão me parece bastante complicada para ser tratada em poucos parágrafos.

No entanto não deixa de causar estranheza que a entidade que congrega advogados queira que sejam impedidos os juízes de deferir liminares para que certos dados ou informação sobre determinadas pessoas não sejam publicados.

Explico: por trás de toda e qualquer ação judicial há pelo menos um advogado, responsável por assinar o pedido de censura. Pois bem se para o presidente da OAB parece tão inadequado que um juiz defira este pedido por que a entidade que ele preside não emite, pelo menos, uma moção de censura ao advogado responsável pelo requerimento?

Como dizia o macaca Sócrates do Planeta dos Homens: “Não precisa explicar, eu só queria entender.”