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E se a Justiça do Trabalho acabar?

marchezan

O Deputado Federal gaúcho Nelson Marchezan Jr. sugere a extinção da Justiça do Trabalho. Conforme o parlamentar, considerando-se que a Justiça do Trabalho distribuiu menos dinheiro para os trabalhadores do que custou para os cofres da União, o melhor seria que simplesmente se houvesse distribuído o dinheiro aos trabalhadores sem a intervenção do Judiciário.

O raciocínio é muito vistoso e, como se pode ver nos comentários onde esta sugestão é divulgada, há um certo frenesi naqueles que acham que a Justiça do Trabalho é a fonte dos males dos empresários.

O que o Deputado não revela é que, se a Justiça do Trabalho distribuiu um determinado valor aos trabalhadores é porque este era o valor justo a lhes ser distribuído, não revela, contudo, que os valores discutidos eram bem maiores e que a sua ideia de meramente distribuir aos trabalhadores o custo da Justiça do Trabalho seria impraticável.

Ademais, com a extinção da Justiça do Trabalho os conflitos e ações trabalhistas não sumiriam como que por encanto, ao contrário, algum outro órgão do Judiciário, provavelmente menos especializado, acabaria assumindo esta incumbência. Sabe-se lá com que resultados.

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Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

3 comentários em “E se a Justiça do Trabalho acabar?

  1. Eu concordo em numero, gênero e grau com o Deputado Nelson Marchezan Jr, Uma justiça cara, insuficiente e ineficiente! Uma “justiça” caça niqueis e de cartas marcadas, onde a imensa maioria dos que a procuram, mesmo não tendo nenhum direito, pleiteiam 10 no intuito de tirarem 1 do patrão com a anuência do Juiz, uma justiça que pra cada real distribuído custa dois ao Estado, tem mesmo que ser extinta.

    1. Muito bem, Alexandre!
      Uma dúvida: se pleiteiam 10 para ganhar 1, com a anuência do juiz, porque perdem 9? Quem é o ator oculto que veta o ganho dos outros 9, se o juiz, na sua concepção, está no “jogo” para permitir que se ganhe o 1?

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