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A Raposa e o Porco-Espinho: moral em Ronald Dworkin

Nos últimos tempos tenho me interessado muito pelo tema da “moral”. Alexy refere que a sua Teoria dos Direitos Fundamentais não é positivista porque tem um conteúdo moral. No entanto temos dificuldades em conceituar moral. O Que Nos Faz Bons Ou Maus  registra que ela pode ser inata, ao passo que Jonathan Haidt faz experiências para identificar as diferenças entre o cérebro dos liberais e conservadores.

Passeando pela livraria hoje acabou me chamando atenção esta obra, de Ronald Dworkin. Ainda não havia ouvido falar nela e acredito que seja nova no Brasil. Em todo caso me pareceu bastante interessante, na medida em que o autor afirma, já nas suas primeiras páginas, que não se trata de uma compilação de autores, mas uma teoria própria acerca do que seja moral.

A imagem do porco-espinho, por seu turno, é justificado pela referência a um verso de um antigo poeta grego, Arquíloco, que dizia:

A raposa sabe muitas coisas; o porco-espinho sabe uma coisa só, mas muito importante. O valor é uma coisa importante.

O que me faz lembrar o Prof. Josep Aguilló Regla, na Universidade de Alicante, quando referia que os homens seriam movidos por paixões, desejos, interesses ou valores. E que haveria uma escala entre eles, mas que os economistas, com o intuito de aplicar suas fórmulas, reduziam tudo a preferências.

Em épocas de campanha política podemos perceber como são comuns aqueles que por interesses momentâneos jogam seu nome na lama e como são raros os que não se deixam influenciar por fatores externos, mas são guiados por verdadeiros valores.

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Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

4 comentários em “A Raposa e o Porco-Espinho: moral em Ronald Dworkin

  1. Dworkin, mesmo sem saber, deixou como última obra um manual para atingir a plenitude da vida.
    Não poderia ser mais feliz em ser bem lembrado com estas ideias, depois de tantos princípios, regras e ponderações. Perceber que toda a sua filosofia buscava atingir bem mais que os pormenores da ciência jurídica.

    Um clássico!

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