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Hoje, finalmente, dei uma passada pela Praça da Alfândega para olhar as novidades da nossa tradicional Feira do Livro. Olhei com uma curiosa atenção os famosos “balaios” onde antes, na ânsia de aumentar a minha incipiente biblioteca eu pescava “preciosidades”, muitas das quais até hoje não li.

Atualmente, mas preocupado com a falta de espaço do que qualquer coisa, tenho um cuidado cada vez maior ao adquirir novas obras. Por isso as obras que eu vi eu ainda sequer adquiri.

A cada ano eu tenho uma curiosidade diferente. Para este ano elegi as neurociências. Em especial às relacionadas à memória e comportamento. Na prática da audiência tenho cada dia mais me deparado com testemunhos intrigantes, que sabem a fundo detalhes acerca dos contratos de trabalho de seus colegas, indo a minúcias como as datas de admissão e férias, mas não raro desconhecem completamente seus próprios dados contratuais ou outras coisas que lhes deveriam ser mais importantes, como datas de aniversário de filhos, ou casamento.

Por óbvio se tratam de depoimentos mentirosos, no entanto o Direito faz pouco caso da ciência nestes casos e muitas vezes os tribunais ultrapassam a avaliação da prova pelo juiz de primeiro grau para, com base exclusivamente na transcrição dos depoimentos, decidir contrariamente àquele que fez a coleta da prova.

Neste quadro as obras que mais me chamaram a atenção não foram novidades da feira, mas duas publicações da Editora Artmed. Memória, de Ivan Izquierdo (imagem ao alto) e Falsas Memórias – Fundamentos Científicos e suas Aplicações Clínicas e Jurídicas, coletânea organizada por Liliaa Milnitski Stein.

Ivan Izquierdo é um cientista que dispensa comentários, seus trabalhos sobre a memória têm alcance internacional, e me servirá como uma fundamentação para minha pesquisa na área. Já a segunda obra, de aplicação mais prática, traz diversos artigos de cientistas e juristas que se debruçaram sobre o tema.

Saindo um pouco das Neurociências, pude ver uma outra obra que me despertou interesse, trata-se de uma publicação da Editora da UNISINOS, e portanto menos comercial, que é o livro Ética e Direitos Humanos de Carlos Santiago Nino. Nino é um autor argentido da Filosofia do Direito, muito citado, inclusive, pelos autores europeus da Teoria da Argumentação Jurídica, como Manuel Atienza, o que já lhe credencia para, pelo menos, me atiçar a curiosidade.

Quem se atrever a comprar alguma das obras, por favor não deixem de comentar aqui, uma vez que são temas que pouco estudados, nada obstante de aplicação prática amplíssima.

Aproveite para ver outros livros do Ivan Izquierdo sobre memória na Livraria Cultura.