iframe {display:none !important;}
Escolha uma Página

Ontem assisti a versão cinematográfica d’Os Miseráveis. Fiquei bastante impressionado com o filme e um pouco envergonhado por, embora já tenha assistido também o Musical, aqui mesmo no Brasil, ainda não tenha lido o livro.

Uma das coisas que mais impressiona na obra de Vitor Hugo é que Os Miseráveis não possui um autêntico vilão, senão o próprio Estado e uma legislação criminal demasiado severa e uma legislação trabalhista ainda inexistente.

Jean Valjean e Javert são, em verdade, duas vítimas desta lei. O primeiro por, sendo pobre, ter sofrido uma severa condenação – cinco anos pelo roubo de um pão para alimentar o sobrinho faminto, agravado até 19 por sucessivas tentativas de fuga – além de uma pena perpétua ao ser documentado como perigoso e, portanto, sem conseguir, em uma França assolada pela miséria, trabalhar dignamente.

Javert, por sua vez, é atormentado pelo cumprimento da lei. Um soldado incorruptível que acredita cegamente nas regras que jurou observar. Para Javert teria sido melhor morrer nas mãos de Jean Valjean, a quem as leis tacharam de perigoso, e portando incorrigível, do que passar pela perplexidade de ter sua vida poupada, tanto que, ao retribuir o favor, deixando de Jean Valjean escapasse, e assim violar a sua lei, Javert tem uma crise tão grande que acha melhor por fim à sua vida.

Tampouco se podem considerar vilões o casal Thénardier, ambos também vítimas da miséria e que por conta disso se encontram desvinculados de toda moral e ética.

Quem assistir não vai perder seu tempo ou dinheiro.