Estava ouvindo na rádio uma discussão sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato. A história tem a ver com a notícia de que o STF está debatendo a existência de racismo no livro “Caçadas de Pedrinho”.

Cita-se, como exemplo, a passagem em que Emília diz:

“É guerra e das boas. Não vai escapar ninguém – nem Tia Anastácia, que tem carne preta”.

Li praticamente todas as obras infantis de Monteiro Lobato quando estava no colégio. Muitas das quais apenas emprestadas da biblioteca da minha escola. Creio que destas obras, de leitura muito saborosa, desenvolvi o gosto pela literatura, mas nenhum tipo de preconceito.

Bem verdade que a Emília não é nenhum modelo do politicamente correto, pelo contrário, era uma boneca muito metida e, certamente, teria pelo que me recordo, tratado com preconceito burros, porcos, bruxas, etc. além de dar uma atenção especial para nobres, como o Príncipe do Reino das Águas Claras.

No entanto acredito que seja muito difícil se encontrar uma única obra em que se pretenda um pouco de realidade mas que não exista algum embate que de alguma forma fuja do padrão que tendemos a achar aceitável.

Há referência à raça de Tia Anastácia na obra de 1933 como se identificou racismo até mesmo no alienígena Jar Jar Binks de Guerra nas Estrelas. Admitir a censura de uma obra por se encontrar nela elementos de uma prática politicamente incorreta já é ruim. Pior ainda se resolverem mutilar a obra.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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