Caricatura no dos outros é refresco.

Nos últimos dias a publicação online Espaço Vital tem publicado reiteradas críticas à iniciativa de um juiz de exibir em sua sala de audiências um quadro que, no entender dos seus editores, seria ofensivo à advocacia, ao retratar um advogado ordenhando uma vaca, denominada “litigation”, que é disputada por dois litigantes, sob o olhar passivo de um juiz (abaixo).

No 198 Litigation Cow

No entanto para a nossa surpresa hoje, quando se noticia uma importante vitória da magistratura: o reconhecimento da equiparação entre os seus benefícios e os da carreira do Ministério Público, através de Resolução do Conselho Nacional de Justiça – que tem na sua composição dois representantes da advocacia – é divulgada uma caricatura em que magistrados são retratados embriagados e sendo servidos por um personagem assemelhado à imagem popular de um vigarista.

Não há dúvidas que a imagem é ofensiva e, principalmente, elaborada com a nítida intenção de ofender ou debochar da classe da magistratura e dos direitos que lhes são reconhecidos por um órgão competente. Ao contrário da imagem afixada na 2ª Vara de Família de Santa Maria que, embora se possa até referir como inapropriada ou de gosto duvidoso, se trata de obra artística, que, como se divulga, ilustra, inclusive, escritórios de advocacia britânicos.

Respeito é uma via de mão dupla. Prerrogativas e remuneração – ou honorários -, são matérias sensíveis e o seu tratamento deve ser tratado por advogados e juízes com bastante seriedade. A ilustração é infeliz e merece uma retratação.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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1 comentário

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  1. Para alguém honesto e que honre o seu trabalho; tenho plena certeza de que algo assim soe ofensivo. Infelizmente, temos uma maioria de magistrados e de advogados que não estão a altura de suas nobres funções e estampam muito bem as imagens comentadas por você. Vejo inumeros juízes – notadamente os mais antigos – preocupados demais com pompas e circunstâncias do cargo e se importando muito pouco com sua nobre função.

    Quanto aos advogados, é praxe (me atrevo até a dizer no mundo todo) sua vinculação a imagem de raposas ou aves de rapina. Ainda mais aqui em nosso país, onde a litigância de má fé é quase estimulada por advogados malandros e juízes procrastinadores ou uma infinidade de advogados se une a criminosos com a mais despudorada cara-de-pau.

    A salvação é essa nova safra de profissionais antenados, honrados e dispostos a mudar a péssima visão que temos do Judiciário Brasileiro. Espero apenas que esses mártires – classe na qual o incluo com louvor (rs) – não percam o fôlego diante das hostes de neandertais que vagam nos “palácios da lei” Brasil a fora.

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