
Que tipo de mensagem se pode ter do novo seriado que a Globo estreou ontem, em horário nobre e, como a própria rede afirma, para jovens?
Segundo as chamadas e releases a personagem principal, e que dá nome à série, é uma jovem que tem dois namorados (!) e os apresenta como tais naturalmente a todos (!!).
Namoro entre jovens atualmente envolve, quase que necessariamente, relações sexuais. Assim a exaltação de uma personagem que tem dois namorados pela rede de televisão mais popular do país, nada mais é do que um incentivo à promiscuidade, o que se já seria complicado em qualquer época, mais se agrava quando ainda vivemos uma pandemia de doenças sexualmente transmissíveis, entre as quais a AIDS.
Se o seriado tem como inspiração os quadrinhos Adao Iturrusgarai é importante que se diga que os públicos são muito distintos. Os quadrinhos somente serão procurados por quem se atrai por este tipo de arte, e que, por conhecer a linguagem, pode melhor compreender os meandros do enredo e a necessidade do artista em realizar humor por este meio.
Por outro lado transmitir a série na TV aberta tem um potencial muito mais avassalador, servindo mais como um novo padrão de comportamento, a ser seguido, com certeza, por muitas jovens e adolescentes. As mesmas que se vestem, maquiam e falam como os personagens principais das novelas.
Não se encontra qualquer motivo plausível para esta imoralidade. Não vivemos um período de censura. Não precisamos quebrar tabus. Questões verdadeiramente sérias, como a união homoafetiva, estão recebendo um tratamento jurídico adequado, com importantes avanços no que diz respeito ao reconhecimento da família homossexual, inclusive com a permissão para a adoção, consoante já se observa de algumas decisões judiciais.
Admitir-se como “natural” um “ménage a trois” público não vai contribuir em nada para a evolução da sociedade, não significa a inclusão de uma minoria, mas apenas a banalização da perversão.
E você o que acha?
Se a Aline apenas tivesse dois namorados eu também não escreveria nada.
O problema é que isso é encarado como natural.
Eu lembrei de Armação Ilimitada. No entanto no Armação a situação era muito mais insinuada do que explicitada.
Agora a coisa é descarada. Daí o problema.
Quanto a Aids, não é o simples fato de ter relações, poligamicas ou não, que aumentará os indicadores de disseminação. O mesmo raciocínio era aplicado aos homossexuais no principio da epidemia.
Ora, a uniao poligamica nao pode ser vista com tamanho preconceito. Dizer que amar duas pessoas ao mesmo tempo é perversão é tao absurdo quanto dizer que homossexuais nao tem carater. Qualquer um que tenha filhos sabe o quanto é possivel amar igual.
Tão século passado, hahahah
Não estou, no meu entender, advogando um falso ou exagerado moralismo.
Apenas me parece que não é adequado este tipo de programação em tevê aberto.
Certamente se esta série passasse no SexyTime da MTV estaria ok.
Aliás eu não teria qualquer objeção, inclusive, que a série fosse de sexo explícito, que Aline tivesse oito namorados e fizesse sexo com todos eles ao mesmo tempo, desde que isso passasse no Sexy Hot.
E agora eu pergunto: a audiência do Sexy Hot ficaria satisfeita se o seriado Aline passasse assim como está naquele canal?
Parece que não, não é?
Então porque poderia o mais e não poderia o menos?
Vc deve ser um velho morrendo de inveja…