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Não é bem uma confissão, até porque acredito que 99% dos magistrados de carreira, como eu, ou seja daqueles que fizeram e passaram por um concurso público e viveram as agruras de ser juiz substituto, fazer audiências, trabalhar no interior etc., gostaria de ser Ministro do Supremo.

Aliás este cargo deveria ser o ápice da carreira da magistratura, ainda que se pudessem reservar algumas vagas para juristas oriundos de outras carreiras – atualmente juiz de carreira no STF há apenas 1, o Ministro Peluso.

No entanto não me considero preparado para tal. Tenho 39 anos (dois a menos que o candidato Toffoli) e acredito que não tenha sequer muito saber jurídico, quanto menos “notório”.

Acredito, contudo, que tenho condições de me preparar para, eventualmente, em um futuro, vir a ter alguma chance de ser considerado com notório saber jurídico. Isso, na minha opinião, implicaria eu defender minha tese de Mestrado, ingressar em um doutorado, escrever alguns livros relevantes, etc. Acredito que, me esforçando muito, conseguiria isso daqui uns 10 ou 15 anos.

No entanto durante todo este período, se Toffoli for nomeado, ele é que estará no Supremo e, como a saída compulsória é apenas aos 70 anos, haverá uma vaga a menos para que eu ou outros juristas que pretendem se preparar possam almejar este tão honroso cargo.

Por isso concordo com aqueles que acham que ele é novo demais para o cargo e que padece de conhecimento jurídico, o que torna um cargo importante e que honraria muito juristas que dedicam sua vida ao estudo das letras jurídicas, meramente político, e isso é uma lástima.