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Um dos assuntos que mais se falou ontem foi acerca da demissão do presidente do Banco do Brasil pelo presidente Lula em virtude da relutância da empresa em reduzir os juros.

Nos veículos de imprensa que acessei a opinião corrente era de crítica à decisão presidencial. O Banco do Brasil, dizia-se, era uma empresa, com acionistas, e portanto o governo não poderia lhe exigir uma política de juros distinta das demais instituições financeiras que com ele concorrem. Exemplo disso era a queda no valor das ações que o banco sofreu tão logo dada a notícia.

Perfeito, mas não inteiramente correto. Não é nenhum segredo que o Banco do Brasil tenha como acionista majoritário o Estado Brasileiro. Neste esteio os seus demais acionistas,  minoritários, ao optar por adquirir ações do banco têm ciência de que ele será gerido pelo governo federal, que poderá tomar medidas de natureza política, muito mais do que os demais bancos, cujos controladores não sejam entes públicos.

Aliás somente se justifica que o Estado tenha um banco se a sua finalidade seja, ainda que indiretamente, regular o mercado. E esta regulação, no que diz respeito ao sistema financeiro, poderia – e deveria – vir, justamente, mediante uma interferência mais séria nos juros bancários. Infelizmente o ex-presidente da entidade não soube levar a cabo a política pretendida pelo governo e, neste caso, a sua queda foi mera consequência.