Algumas reflexões sobre a eugenia

Posted by Luiz Guilherme Marques - 13/03/09 at 08:03 am

Planos de Saúde

Há alguns cientistas que sonham com a época em que providenciarão filhos de acordo com as características físicas e psicológicas escolhidas pelos pais.

Alguns dizem que isso cheira à “eugenia nazista”. Outros que cada casal tem o direito de escolher como quer seus filhos. Outros interpretam esse avanço científico como uma interferência indevida no campo da divindade.

Acho que ninguém deve tentar deter o avanço da Ciência.

A Idade Média européia foi uma das piores épocas da humanidade porque a Ciência foi proibida de existir. Estabelecendo que todas as verdades só poderiam ser veiculadas através da Religião Católica, perseguiram-se as pessoas que ousavam pesquisar e raciocinar fora dos dogmas católicos.

Produção humana em série?

Produção humana em série?

Dentro da minha fé em Deus, acredito que Ele não se sinta ofendido de pesquisarmos e raciocinarmos inclusive sobre como Ele é e como são Suas Leis. Se Ele nos deu a inteligência é para tentarmos atingir a Perfeição, aliás, aconselhada por JESUS CRISTO quando aconselhou: “Sede perfeitos, como vosso Pai é perfeito”.

O grande problema não é descobrir-se a intimidade dos genes, mas sim a utilização que se dará a esse conhecimento.

Descobrindo a energia atômica, alguns utilizaram esse conhecimento para fabricar bombas, mas outros produzem energia elétrica.

Uns utilizam produtos químicos para tratar de doenças e outros para fabricar drogas.

A questão da saúde humana passa por uma série de fatores, inclusive os de ordem ética e de vida saudável. Condutas inadequadas, como o tabagismo, o alcoolismo, a drogadição e a sexolatria, podem gerar doenças graves de ordem física e/ou mental.

Grande parte das doenças se deve à nossa própria incúria.

Não se deve considerar somente o aspecto físico das doenças, e sim melhorar o nível moral da humanidade em geral.

Há um outro dado a se considerar: se há profissionais da área de saúde que creem que o ser humano se reduz ao aspecto físico e psicológico (corrente reducionista), há um número expressivo de pessoas que vê o ser humano como alma unida a um corpo.

Mais ainda, entre esses últimos, grande parte crê que cada alma vem reencarnando há milênios e que sua saúde física e psicológica atual representa o resultado de suas ações éticas ou imorais em vidas passadas. Assim pensam hinduístas, budistas, antropósofos, espíritas etc.

Pessoalmente, coloco-me entre esses últimos.

Quando um casal resolver – se isso possível for – que o fruto material do seu amor seja um homem de olhos azuis, cabelos louros, porte atlético, personalidade extrovertida, com inclinação para a Matemática, poderá estar colocando-o numa verdadeira “camisa de força”…

Todavia, impedir a realização de pesquisas é a pior opção.

Quanto a querer obstaculizar a Ciência lembro-me de uma determinada autoridade eclesiástica que tentou impor a STEPHEN HAWKING que deixasse de pesquisar sobre a origem do universo ao argumento de que esse segredo pertenceria só a Deus…

A evolução moral da humanidade é muito mais lenta que a evolução intelectual.

A Ciência ainda se presta em grande parte à exploração do homem pelo homem.

Muitos casais que querem filhos vistosos e inteligentes não se preocupam em que eles sejam honestos e idealistas.

Enquanto nos despreocuparmos dos aspectos espiritual e moral pouco adiantará sermos bonitos ou feios, inteligentes ou não, fortes ou franzinos, que, no final das contas, causaremos mais problemas do que seremos úteis à coletividade.

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7 Responses to “Algumas reflexões sobre a eugenia”

  1. João Lemes de Moraes Neto says:
    março 14th, 2009 at 04:02

    prezado colega,
    gostaria de parabeniza-lo pelo excelente trabalho com esse blog…

    um forte abraço

    Responder

  2. Arthurius Maximus says:
    março 14th, 2009 at 13:08

    Também sou a favor. Que pai não gostaria de ver seu filho livre da possibilidade de genes que possam desencadear doenças genéticas graves ou deformantes? demonizar essas pesquisas é pensar rasteiro.

    Responder

  3. Jorge Araujo says:
    março 14th, 2009 at 19:26

    Uma situação que me veio à memória em relação a este artigo e que eu até já havia pensado em escrever, mas que faltou um pouco de inspiração, confesso, é a que diz respeito a um casal de surdos britânico que, entendendo que surdez não seria uma deficiência, mas um “modo diferente de perceber o mundo”, assim a “preferência” dos pais pela criança surda.
    Acho que é um bom início para um debate sobre os limites da ética na fertilização in vitro, uma vez que se admitindo o “descarte” de determinados gens, não se poderia admitir que se escolham algumas outras peculiaridades do embrião, como, por exemplo, lhe retirar a visão, audição, capacidade para ter filhos, etc.?

    Responder

    Jorge Araujo Reply:

    @Jorge Araujo,

    Esqueci de referir o link da referência acima: http://www.sacrahome.net/v5/node/1747

    Responder

  4. Marcos F. Gonçalves says:
    março 15th, 2009 at 11:21

    Debatia, ontem, com um amigo, que é biomédico, sobre assunto similar ao tratado na postagem supra. Discutíamos sobre como ciência e religião têm se aproximado ultimamente.

    Depois do desenvolvimento da física quântica, muito se tem questionado sobre a lógica newton-cartesiana, já que muitos fenômenos cientificos carecem de explicação por meio de “laboratório”.

    Pouco se sabe, por exemplo, como as menores partículas atômicas do universo – os fótons – se movem no tempo e espaço; são fenômenos que, por ora, estão além de nossa compreensão.

    A ciência não explica tudo. Einsten, por exemplo, verberava a física quântica, mas, já no fim da vida, admitiu sua aplicabilidade, dizendo assim: “a física quântica explica muitas coisas”.

    O fato é que a Igreja Católica, já aceita, por exemplo, sob determinados aspectos, a teoria darwiniana, e a ciência, por sua vez, já não vê como completo absurdo “a mão” de Deus na criação do universo.

    Enfim, embora eu não seja religioso, entendo imprescindível, nos dias atuais, o apego a questões religiosas.

    Vivemos tempos de intensa violência, barbaridades, desumanidades, e não há mal algum (ao contrário!) obedecer os ensinamentos de Cristo, Alá, Jeová, Buda (tratam-se do mesmo Deus, penso eu).

    É melhor ter os jovens dentro de uma igreja orando a Deus e pensando no bem do próximo (até mesmo temendo o que poderá “vir após a morte”, caso não siga os mandamentos), do que nas ruas usando drogas, matando, roubando, mendigando. Arrisco em dizer que, não fosse a religião, talvez muitos já acordariam atirando no seu vizinho (vejam o caso da Alemanha, noticiado esta semana).

    É melhor ter o jovem sendo um pouco mais humano, solidário e participativo, o que invariavelmente ocorrerá ao pensar na existência de Deus, do que alguém totalmente apegado à ciência, ao materialismo, sem apreço ao ser humano.

    Para encerrar, vou lembrar só de dois casos bárbaros cometidos por jovens, recentemente: aqueles que puseram fogo num índio, em Brasília; aqueles que espancaram uma empregada doméstica no Rio de Janeiro.

    É verdade que também muito já se matou em nome de religiões; mas…pior com Ele, ruim sem Ele.

    É isso.

    Responder

  5. João Lemes says:
    março 15th, 2009 at 20:20

    Dr. Jorge!
    muito obrigado por participar do meu blog e espero sua visita mais vezes!
    A presença do senhor com seus comentários só me fazem ter mais vontade de aprender e escrever no blog!
    um abraço

    Responder

    Jorge Araujo Reply:

    @João Lemes,

    Foi um prazer! Mas podemos deixar o “senhor” de lado, afinal somos colegas blogueiros, não?
    Abraços!

    Responder

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