CParty: Funk vs. Liberdade de Expressão

Está repercutindo bastante o ocorrido ontem à noite quando os “campuseiros” acabaram com um show da Banda Leme. O ritmo da banda, rap ou funk, ainda não consegui me inteirar bem.

Ía escrever algo sobre a liberdade de expressão e do direito que os expectadores teriam de manifestar o seu descontentamento com o espetáculo, ou ainda que uma repercussão negativa, principalmente em um evento de nerds e geeks, talvez nem fosse tão ruim assim. No final ía acabar falando que nem Monteiro Lobato nem os modernistas foram prejudicados pelo artigo daquele “Paranóia ou Mistificação”, em que critivava a arte destes.

No entanto ao assistir o vídeo do imbroglio (abaixo) fiquei feliz de ter  saído mais cedo. O cidadão com o siri na cabeça de fato exagerou e a organização fez muito bem em, segundo informações, o ter expulsado*.

Aliás quem protagonizou o lamentável episódio devia estar com muita vontade de aparecer, pois foi aprontar justamente em um lugar que cada um dos participantes estava com câmara, computador e uma conexão para publicar de imediato a “notícia”.

No vídeo abaixo, dica do JonnyKen, via Twitter, o depoimento dos envolvidos, sendo que então o crime de ameaça do cidadão do caranguejo na cabeça está mais do que configurado (por volta dos 3:19 para os mais afoitos).

Atualização: O Jonny Ken postou um bem humorado artigo sobre os 15 possíveis motivos do(s) barraco(s) no CParty.

Atualização 02: O Portal do SESC / TV Cultura tem uma reportagem mais aprofundada sobre o assunto, com uma entrevista com o Thyago, o rapaz do siri na cabeça, que, inclusive, comentou aqui.

* A informação de que o Thyago fora expulso me foi dada por um dos organizadores do evento e agora foi desmentida pelo próprio Thyago que, segundo informa, está estabelecido na área de Games.

URL curta para esse artigo: https://wp.me/pVtgW-qd

Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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14 comentários

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  1. Se há serviço prestado, temos relação de consumo. À parte eventuais divergências doutrinárias, considero grave, muito grave, se a organização do Campus Party não tomar providências a respeito da segurança no evento. Seria preciso denunciar logo o rapaz-do-caranguejo. A ameaça é muito clara, bem registrada em áudio e vídeo e com direito a depoimento pessoal em que ele reforça a ameaça! Concordo contigo que muitos participantes confundiram preferências estéticas, bom gosto, e falha no serviço. Não gostar da música não caracteriza falha no serviço. Porém, o que o vídeo denota era uma audiência muito jovem, há muitas horas em frente a monitores, aglomerada em grande número durante a madrugada sentindo-se ofendida. Dado o caráter homogêneo da audiência e os cadastros prévios de quem estava ali, uma boa pesquisa de mercado para a escolha das atrações artísticas preveniria muitos problemas.

    Enfim, faltou segurança, conhecimento do público-alvo, planejamento, e boa vontade de quem estava presente, seja caranguejo ou gente, para aceitar as diferenças.

    Abraço!

  2. O cara tava sendo vaiado faz tempo. Se não fosse esse Thyago seria outro.
    Sendo especialista em música ou não, nós somos os clientes do evento.
    Quem esse “músico” pensa que é para subir em um palco para nos ofender ?
    Ele tava querendo o q ? Ser aplaudido ?
    Se esconde por trás de uma máscara e manda eu limpar a bunda com o meu diploma ? Não PAGUEI para ouvir isso.

    1. @Felipe,

      Perdoe-me mas eu não entendo assim. Me parece que não há intuito de lucro e, portanto, não é uma relação de consumo, mas teria que me informar melhor.
      Nem sempre ouvimos o que queremos, mesmo quando há uma relação de consumo.
      Ligue para uma empresa de telefonia móvel para reclamar de um serivço para ter uma idéia do que eu lhe digo.

  3. Sobre um assunto mais amplo, fico pensando se o saudoso James Brown, tivesse conhecimento desses “materiais” com tais letras, sendo chamados de “funk”.
    Ou até mesmo outro funkeiro jpa falecido: Tim Maia.
    Funk pra mim é isso.

    PS: Desculpe se algum comentário foi equivocado. Não estou presente da Campus Party. Apenas acompanho via streaming.

  4. Eu concordo que as violência NUNCA é uma opção.
    Mas analisemos a letra que faz chacota e xingamentos aos bacharéis em direito.
    Na minha opinião, isso vai além do direito de expressão.
    Pessoas presentes na Campus Party, pagando para serem xingadas.
    Gostei muito da matéria.
    Um abraço!

  5. Eu sou o cara do siri meu nome eh Thyago e eu nao fui expulso quem foi expulso foi o “De leve”.
    O babaca que mandou nos todos limpar a bunda com o diploma !
    Eu estou na area de games, passae aqui pra conversar.

    Qualquer coisa manda ele vir aqui pra falar comigo caso ele prove por A mais B que aquilo que ele chama de musica seja uma forma valida de protesto; Dai eu pedirei desculpas para ele la no palco ..

    1. @Thyago,

      Eu não sou especialista em música para dizer se aquilo é ou não arte, forma válida de protesto, etc.
      No entanto entendo um pouco de Direito e sob este ponto-de-vista eu me permiti me manifestar.
      Quanto a conversarmos estou à sua disposição.

  6. Concordo que o idiota com o siri na cabeça exagerou… mas a banda meu caro… era uma verdadeira bosta mesmo…

    Tipo… qm vem pra uma festa dessa e canta música onde parte da letra é:
    “Vou colocar no seu cu… culote…”

    Vc tá de brincadeira!!!

    A galera tinha q mandar vazar mesmo… mas… tudo no limite…

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