Capa da edição especial de setembro da Você S/A

Estava folheando a última edição da edição especial das revistas Exame e Você S/A com as 150 melhores empresas para se trabalhar.

Acho muito interessante a iniciativa da revista, que cria um excelente guia para aqueles que querem ingressar ou ascender no mercado de trabalho, principalmente porque incentiva aos trabalhadores a se qualificar para ter acesso a empresas cujas políticas favoreçam a permanência e ascenção funcional.

No entanto há algumas inconsistências na publicação.

Por exemplo não dá para entender como uma das maiores instituições bancárias do Brasil possa ter trabalhadores com média de 15 anos de serviço, se a própria revista informa que no último ano mais de 5000 empregados foram despedidos e cerca de 7000 admitidos.

De outra parte é inconcebível que o setor bancário, que tem lucros e crescimentos no país praticamente desde o seu descobrimento, seja um dos setores que pior pague seus empregados, quanto mais em se considerando que suas folhas de pagamento são integralmente suportadas pelas tarifas cobradas dos clientes.

Por fim também é incompreensível como empresas que têm índices de demandas trabalhistas (procedentes) acima da média, como as empresas de telefonia, podem figurar em um seleto grupo de empresas que, em tese, deveriam tratar excepcionalmente seus empregados. Isso sem se falar que as mesmas empresas, por igual, são clientes freqüentes dos juizados especiais, tendo-se em conta seu péssimo relacionamento com seus clientes.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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1 comentário

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  1. Olá! Algumas hipóteses:

    – quanto ao tempo de serviço dos empregados, ele é descrito por um “birth-death process”, e o tempo médio de serviço (que seria a longevidade no modelo teórico de nascimento e morte) é o inverso da taxa de despedidos [1]. Essa taxa é variável mas depende do número de funcionários. Por exemplo, no Brasil nascem (aprochutadamente) 6.5 milhões de pessoas, morrem 1.2 milhões e a idade média é de 70 anos [2].

    – quanto à boa vida dos bancos e principalmente empresas de telefonia, meu palpite é mais aborrecido e menos embasado: falta de competição.

    [1] http://books.google.com/books?id=NeR5JEunGYwC&pg=PA259&lpg=PA259&dq=birth+death+process+mean+age&source=web&ots=V9IjPDteGL&sig=kAtzmsP0dmK6Vv4x055R5f6fDAs&hl=en&sa=X&oi=book_result&resnum=6&ct=result
    [2] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/br.html

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