O trabalhador do tráfico
Esta notÃcia deveria ter um tÃtulo do tipo: “Eu vou morrer e não vou ver tudo.”
Há alguns dias atrás recebi uma mensagem de uma estudante de Direito. Ela havia lido alguns artigos meus sobre prostituição e, embora concordasse com a minha conclusão acerca da legitimidade da profissão, discordava da ilicitude da relação com o “intermediário”, ou seja o cafetão ou facilitador.
Seu trabalho de conclusão de curso de Direito visava, justamente, estabelecer uma linha de argumentação em que afirmaria a licitude da relação com a possibilidade, portanto, de a prostituta postular relação de emprego com o seu explorador.
Respondi que a hipótese era absurda e ela não me contatou mais.
Agora vejo uma notÃcia que é de cair o queixo: um traficante (ou um trabalhador do tráfico) informou aos policiais que o prenderam que era um trabalhador formal e registrado a serviço da distribuição de drogas ilÃcitas, possuindo salário fixo, de R$ 415,00, registrado na sua carteira profissional, recebendo, ainda, comissões sobre as vendas.
A notÃcia, acaso se confirme (o “trabalhador” não portava o documento no momento de sua prisão), representará muito mais do um deboche à s instituições democráticas, mas mais um indÃcio da falência do próprio Estado diante de um crime cada vez mais organizado. Tão organizado que, após se estruturar com a forma do Estado, inclusive constituindo arremedos de tribunais, encarregados de decidir - com muito mais agilidade (até porque desprezando muitos princÃpios inerentes ao Estado Democrático) - desde pequenas divergências até assuntos de vida e morte dos residentes nas suas áreas de influência, agora passa a se utilizar de instrumentos legÃtimos com o intuito de fazer revestir com uma casca de legalidade uma atividade que traz a ruÃna de um sem número de famÃlias.
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29 05 2008 Ã s 12:51 am
Ora ora, as “cabeças pensantes intelectuais” do Brasil, aliadas à excelência do Poder Legislativo nos propiciam especular absurdos como esse…
Como diz a letra da banda REM, “It’s the end of the world, as we know it”.
29 05 2008 Ã s 1:40 am