Sobre o prolongamento da vida dos pacientes terminais

Sobre a notícia publicada na Folha (na parte exclusiva para assinantes) desta semana e reproduzida na Agência de Notícias da AIDS, acerca da determinação judicial que impede aos médicos de permitir que doentes terminais morram, se pode fazer uma séria indagação: a quem interessa prolongar a vida de doente terminais?

Certamente não aos próprios doentes, cuja qualidade de (sobre)vida, ligados a aparelhos e reclusos em hospitais, certamente não é aspiração de nenhuma pessoa normal.

Igualmente não será da sociedade. Uma vez que procedimentos excessivamente dispendiosos e a  ocupação de preciosos leitos hospitalares destinados a pessoas que terão apenas prolongada uma vida que, seguramente, jamais retornará à sua plenitude não beneficiam a ninguém.

Em uma análise fria, mas realista, apenas podemos concluir que o interesse na sobrevida de pacientes terminais apenas atende a interesses egoísticos familiares quer daqueles que não se encontram preparados para se desapegar de seus entes queridos, cuja dor respeitamos. Ou dos que sobrevivem de pensões e aposentadorias dos moribundos, cujo falecimento lhes interromperá o ócio.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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4 comentários

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  1. Atualmente, temos tamitando dois projetos de lei do Senado relativos aos direitos dos pacientes terminais e à ortotanásia.
    O projeto de lei do Senado 160/00, que já aprovado pelo Senado e está na Câmara dos Deputados, e o projeto de lei do Senado 564 que ainda será relatado pela CCJ do Senado.
    O projeto 160/00, em outras palavras,autoriza a ortotanásia e o 564, dispõe sobre os direitos da pessoa em fase terminal e à tomada de decisões sobre limitação ou suspensão de procedimentos terapêuticos.

  2. Eu, como farmacêutico, percebo neste tema dois interesses pouco divulgados.
    O primeiro, e mais evidente, é a tendência que nossa sociedade tem de evitar a discussão de temas polêmicos, empurrando sempre que possível tais assuntos para debaixo do tapete, não importa o custo que isto tenha. Seu post fala especificamente da ortotanásia, mas poderia falar da eutanásia (cujo debate conjunto seria inevitável), do aborto, da descriminalização de drogas, etc.
    Outro interesse, mais dissimulado porém nem por isto menos lesivo à sociedade, é o interesse que o sistema de saúde tem em pacientes crônicos e pacientes terminais. Não vou dizer que o hospital público da periferia de qualquer cidade tenha interesse em manter pacientes terminais ocupando leitos, claro. Até porque, a maioria destes sequer teria recursos para atendê-los. Não, de uma maneira geral, pacientes terminais são mantidos vivos em hospitais melhor aparelhados – em sua maioria particulares – sob um tratamento caro, bancado pelos familiares, pelo convênio do paciente ou mesmo por repasses de verbas públicas. E não apenas o hospital tem este interesse. A indústria farmacêutica, uma das maiores e mais dissimuladas vilãs do mundo moderno, tem altíssimo interesse nesta situação. E dinheiro para financiar seu interesse. Não podemos nos esquecer de que o paciente mantido em sobrevida irá consumir uma quantidade absurda de medicamentos, de uma maneira geral situados entre os mais caros do arsenal.
    Não é a toa que mesmo em locais onde a ortotanásia é uma prática normalmente aceita, como em alguns estados norte-americanos, existam grupos “de defesa da vida” tentando eliminá-la. Muito provavelmente, grupos sutilmente manipulados por interesses que jamais sonharam que existam.
    Poderia falar muito mais, mas acho que meu comentário já está mais extenso que o post…

    1. @Enio Luiz Vedovello, queria falar com vc poderia me passar seu email o meu e lilianybrasil[at]hotmail.com obrigada desde ja

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