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Sobre a notícia publicada na Folha (na parte exclusiva para assinantes) desta semana e reproduzida na Agência de Notícias da AIDS, acerca da determinação judicial que impede aos médicos de permitir que doentes terminais morram, se pode fazer uma séria indagação: a quem interessa prolongar a vida de doente terminais?

Certamente não aos próprios doentes, cuja qualidade de (sobre)vida, ligados a aparelhos e reclusos em hospitais, certamente não é aspiração de nenhuma pessoa normal.

Igualmente não será da sociedade. Uma vez que procedimentos excessivamente dispendiosos e a  ocupação de preciosos leitos hospitalares destinados a pessoas que terão apenas prolongada uma vida que, seguramente, jamais retornará à sua plenitude não beneficiam a ninguém.

Em uma análise fria, mas realista, apenas podemos concluir que o interesse na sobrevida de pacientes terminais apenas atende a interesses egoísticos familiares quer daqueles que não se encontram preparados para se desapegar de seus entes queridos, cuja dor respeitamos. Ou dos que sobrevivem de pensões e aposentadorias dos moribundos, cujo falecimento lhes interromperá o ócio.