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A indignação de Luciano Huck

Infelizmente o brasileiro perdeu até a oportunidade de se indignar. A reação idêntica de dois blogs de conteúdo completamente distinto à missiva do apresentador Luciano Huck à Folha de São Paulo em decorrência do roubo de um relógio Rolex seu (cujo valor é correspondente a três anos e meio de salário de um policial civil) bem demonstra que a reação das elites à crescente violência nas metrópoles brasileiras é intempestiva.

Mr. Manson, do Cocadaboa, critica a carta item por item, referindo, por exemplo, que o fato de Huck pagar altos impostos não o coloca acima da massa de trabalhadores que são isentos na fonte, porque ganham pouco, mas que tem a mesma carga tributária que ele, por exemplo, no momento de comprar o arroz e o feijão.

O Caso de Polícia vai mais fundo referindo que é função de todo cidadão, mesmo do indignado e milionário Luciano Huck, auxiliar a polícia nas suas investigações, por exemplo notificando o roubo, o que não ficou, de fato claro, na manifestação pública.

Ambos, todavia, deixaram de referir, talvez até por cortesia com a vítima, que, com certeza, muitos de seus amigos ou conhecidos tem muito a ver com o aumento da criminalidade, na medida em que são eles que sobem a favela para abastacer com dinheiro o crime organizado, em troca de algumas gramas de cocaína ou outra droga qualquer, como já dizia o PM Alexandre.

Por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

1 resposta em “A indignação de Luciano Huck”

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