Acordei hoje com a firme convicção de que o Senador Renan Calheiros seria defenestrado do Senado Federal. Não mais apenas pelas acusações de que é alvo. Ou pelas desculpas, que de tão esfarrapadas melhor seria se não tivessem sido apresentadas.
Mas por uma situação muito mais grave: o senador, ao argumento de se defender, se utilizou como sua de toda a máquina do Senado Federal, se valendo do corpo funcional e de sua posição de chefe de Poder para articular, senão uma defesa, ao menos elementos que dificultassem ou atrasassem a sua despedida do poder.
E pior: permitiu que com isso o Estado deixasse de funcionar, que projetos, importantes para o progresso do país, deixassem de tramitar. Em suma fez do público uma extensão de sua privada, demonstrando um espírito republicano nulo. O que de forma alguma é recomendável para alguém que se encontra em quarta posição na linha sucessória da Presidência da República.
Isso para mim, em si, já é falta de decoro.
Agora o Senado, por uma votação apertada, acabou de rejeitar o pedido de cassação e, por conseguinte, confirmar a sua posição da presidência da Câmara Alta do nosso parlamento. Acreditar que agora, após toda esta pantomima, Renan vá deixar a cadeira de Presidente do Senado é, mais ou menos, como acreditar que vá nevar em Brasília, em fevereiro.


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