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Articula-se na grande imprensa um movimento que a curto ou a médio prazo pode causar uma séria crise nas instituições nacionais: O ataque gratuito a juízes.

Os cidadãos de toga, de quem sempre se exigiu (e obteve) uma conduta reta e moral ilibada, são agora um dos objetos favoritos da chacota nacional. Situações corriqueiras do convívio social como um acidente de trânsito ou briga de vizinhos, que envolvam magistrados se tornam manchete nacional, com direito a chamada no intervalo da novela e análise do Jabor no Jornal da Globo.

Não que sejam santos. Assinale-se que o dogma da divindade oriundo da Idade Antiga, quando o exercício da função de julgar era exclusivo dos sacerdotes ou nobres, já se esvaneceu, substituindo-se pelas palavras do escravo de Júlio César que lhe sussurrava a cada triunfo: lembra-te que és mortal.

Aliás situações como a de Nicolau dos Santos Neto ou do Juiz Pedro Pecy Barbosa de Araújo, o primeiro dispensando apresentações e o último o autor dos disparos que tiraram a vida do segurança de supermercados na frente das câmaras de vigilância, excluem de imediato qualquer pretensão à infalibilidade que se ousasse alegar.

No entanto exagera-se. Por exemplo uma magistrada paulista que, diante de uma situação de risco, acionou a polícia, da mesma forma como se espera e aconselha que qualquer cidadão faça, teve, exclusivamente por ter deixado escapar a sua profissão, instaurado contra si um processo disciplinar.

Ou, de forma mais grave, um juiz do Distrito Federal que, justificadamente nervoso ao atender sua esposa e filhos em um acidente de trânsito, foi desacatado, algemado e levado preso por policiais, além de ser submetido ao constrangimento de ser exibido em tais condições na imprensa nacional, sem que lhe fosse sequer permitido o contato com seu Tribunal ou associação de classe, embora isso lhe seja assegurado por lei.

Este nível de exposição na mídia, no qual se desrespeitam prerrogativas que, assinale-se, não aproveitam diretamente aos detentores dos cargos públicos, mas tem apenas o objetivo de preservar a instituição, não é democracia ou liberdade de imprensa, é uma violência.