Juridiquês
- Doutor, ganhamos? - perguntou o cliente, visivelmente nervoso. Era um processo intrincado, que se arrastava por anos e do qual dependia, ganho ou não, o futuro dele. Receber uma ligação do advogado: o processo se havia encerrado. Se havia ganho ou não o advogado fizera mistério.
- Sr. Fredolino, - pigarreou o advogado - como eu já havia lhe dito este processo era deveras complicado. O senhor deve recordar no início, quando o senhor me procurou, que as chances eram iguais para ambas as partes.
Fredolino ouvia.
- Bem no juízo a quo apresentamos o libelo, a parte excepcionou e contestou. O magistrado rechaçou a exceção, mas em análise da matéria de fundo restou por nos dar procedência apenas parcial. Interpusemos o remédio apropriado tendo, então, o processo sido conduzido à instância ad quem, deistribuído o processo, o relator proferiu foto que nos foi inteiramente favorável, entretanto o conteúdo das manifestações do revisor e até do vogal foram incluídos nas razões de decidir. Assim ao se verificar que o conteúdo da fundamentação divergia do dispositivo, nada obstante a ementa confirmasse a decisão em nosso favor, nos obrigamos a apresentar embargos de declaração, apontando a contradição existente. Recebidos os embargos foi-nos dado provimento. A parte contrária, contudo, não se conformou, apresentou Recurso de Revista e, do despacho denegatório, apresentou Agravo de Instrumento. O Tribunal Superior negou seguimento a este último e, portanto, os autos estão agora de volta à Vara de origem.
Fredolino admirou-se que esta narrativa toda saiu de um fôlego só, sem que o advogado sequer resvalasse em um ou outro dos inúmeros termos utilizados. Apreveitou-se do intervalo do advogado e então, um pouco hesitante perguntou:
- Doutor o senhor me desculpe, nós ganhamos?
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May 17th, 2007 at 9:31 pm
Po Doutor, guarde o juridiquês para os jurídicos e fala pro Fedolino, ganhou ou não? rs
O militarês não chega a tanto mas tbm pode complicar as coisas.
May 18th, 2007 at 1:03 pm
Pelo pouquíssimo que entendo de jurisdiquês, aviso o Fedolino que ganharam apesar de alguns contratempos…
May 18th, 2007 at 4:28 pm
Até quem é da área precisa ler com muita atenção essa salada de frutas!
Juridiquês é sempre um tema interessante, e até polêmico. Outro dia, li um artigo em que o autor propunha o fim, inclusive, de expressões como “a quo”, “ad quem”, “habeas corpus”. Concordo que, para quem não é da área, a simplificação é necessária; só que um pouco de tecnicismo sempre vai sobrar, como em qualquer outra profissão. Afinal, é muito mais fácil falar “ex tunc” do que “efeitos que retroagem até a origem do fato”…
March 31st, 2008 at 11:31 am
[...] 28/03/2008 às 08h55min Paulo Gustavo juízes Há sentenças tão complicadas que o autor fica sem saber se ganhou ou perdeu. [...]
April 11th, 2008 at 6:37 pm
afinal, me respondam com toda certeza: esse coitado ganhou ou nao?