Os Juízes e a Máfia dos Caça-Níqueis

Vai ver foi praga da Soninha, mas o certo é que ela terá um bom material para responder ao processo que lhe move uma associação de juízes de São Paulo acerca de declarações suas sobre corrupção do Judiciário.

Sem se adentrar nos meandros da operação Hurricane (Furacão), que com certeza ainda dará muito pano para manga, é de se perquirir o que leva um magistrado ou um delegado de polícia, que recebem uma remuneração diferenciada em relação ao restante da população, além de contar com garantias como a irredutibilidade de vencimentos ou a estabilidade, a se corromper.

Uma coisa é um policial que percebe 600 reais por mês para arriscar sua vida diariamente, tendo como vizinhos, muitas vezes, os mesmos criminosos que combate em sua atividade, aceitar algumas centenas de reais para fazer vistas grossas acerca de um crime menor. Outra, muito diferente, é alguém que tem um cargo de destaque nas carreiras estatais em troca de carros de luxo e contas polpudas facilitar o aumento da criminalidade da forma que desponta nas investigações que até agora foram levadas a público.

Sem admitir-se o julgamento apressado ou o pré-julgamento, as associações de classe de juízes, promotores, advogados, delegados de polícia… antes de se lançarem em uma defesa intransigente dos acusados, devem, isto sim, exigir o amplo esclarecimento dos fatos e a exemplar punição dos eventuais faltosos.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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2 comentários

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  1. Não foi praga minha, não… :o) Mas é um alívio ver algumas casas caindo. O Judiciário pode gozar de mais respeito e credibilidade do que os demais Poderes, mas muita gente já conhece, na prática, as suas mazelas. Não seria possível que essa instituição humana estivesse livre de corrupção – nenhuma está. Mas se ela mesma fingir que a corrupção no existe, está no caminho para ser tão avacalhada quanto as outras – como o Legislativo, do qual eu faço parte… Obrigada pela referência.
    PS: no Saia Justa de hoje, que gravamos ontem, manifestamos nosso espanto justamente com pessoas que não “passam necessidade” e se deixam envolver por esquemas criminosos como esse.

  2. Olha, sinceramente, creio que com os acontecimentos recentes, o único poder que as pessoas acreditam é o Judiciário (que aliás, é o que eu mais confio). Agora, ver autoridades como essas, inclusive ministro do STJ, envolvidas com isso é lastimável. Como vc disse, se fosse um Policial que dá a vida pra defender as pessoas em troca de míseros 600 reais, é “aceitável”. Agora juízes, promotores, ministros, que com certeza não precisam disso, é revoltante.

    Estou acompanhando o noticiário, espero que não termine tudo em pizza.

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