O Exército Brasileiro e a Ocupação do Rio de Janeiro

O fato de ter dado certo durante a Rio/92 não é um atestado de que dará certo novamente. Naquele período houve todo um trabalho de inteligência das polícias e do próprio exército destinados já a prevenir e identificar possíveis focos de criminalidade.  Também naquela época, os criminosos, que não eram bobos, nem nada, deram um tempo nas suas atividades, até porque sabiam que a ocupação pelo Exército seria temporária.

Agora não. O que o governador Cabral quer é a permanência do Exército por pelo menos um ano.

Lembrem-se que no caso de 2006, em que o Exército subiu as favelas para recuperar armas roubadas, sua ação apenas se encerrou em virtude da boa vontade dos criminosos, que para não o ter mais atrapalhando suas atividades concordou em devolver o armamento, tendo o Exército que engolir um desonroso acordo com a bandidagem carioca. 

E há um grande fator que impede o sucesso do plano: o treinamento dos militares é para a guerra. E em uma guerra, no território de conflito, não há espaço para a proteção de inocentes. Ou seja se já há queixas quanto à ocorrência de tiroteios com ameaça à vida dos civis em se tratando das polícias civil e militar, quando se tratar de exército a coisa vai encrespar. Isso porque o exército utiliza equipamentos mais pesados e não pode, durante um tiroteio, simplesmente se esconder atrás de seu veículo para evitar revidar os tiros de criminosos que, no mais das vezes estará usando armamento tão pesado quanto ou, quiçá, ainda mais moderno.

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Publicado por Jorge Alberto Araujo

Jorge Alberto Araujo é Juiz do Trabalho e master em Teoria da Argumentação Jurídica pela Universidade de Alicante, Espanha. Titular da 5a Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS.

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4 comentários

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  1. Se o Brasil, pode enviar Soldados Brasileiros para outros países para amenizar ou até mesmo resolver os problemas do outros, lá permanecendo pormeses ou até anos, por que o Exército Brasileiro não poder ser utilizado por meses ou até anos dentro do seu próprio territótio defendendo o seu próprio povo. Logo,sou a favor que nós do Exército Brasileiro sejamos empregados, em qualquer parte deste imenso território, passando de uma hora a um século se for necessário. A luta contra o tráfico de drogas é uma guerra,e numa guerra, morre culpado e inocentes, e isto, é inevitável.

  2. Exército na rua JÁ. Com certeza haverá confronto e gente inocente pode morrer. Mas isto já esta acontecendo. O exército é treinado para guerra, assim como o tráfico. A polícia não. Ou seja, com o exército a briga é de igual para igual.

    Mas também tem uma coisa, vamos acabar com direitos humanos, senão todo o trabalho será em vão.

  3. Sim, mas os bandidos também engoliram o acordo. É fato que o exército no pé do morro dificulta as atividades ilegais por lá, como a venda de drogas e a entrada de armas.

    Sem vender drogas ou poder se armar, uma hora os bandidos terão de se render, entregar armas e etc. Acredito que isso não será feito sem uma tentativa de confronto por parte dos bandidos, mas se escondendo por trás dos civis, eu vejo essa como a única maneira de neutralizar os bandidos no morro: acabando com sua fonte de renda.

    Seria uma boa hora também de separar o joio do trigo. A comunidade tem que participar denunciando os depósitos dos bandidos, facilitando a ação do exército.

    Sei também que falar aqui é muito fácil, quando não se está vivendo a situação de risco, em um confronto entre a polícia e os bandidos. Mas existe outra solução? Tenho dúvidas até se investimentos em infra-estrutura (educação e emprego) resolveriam o problema. O Tráfico ainda é um meio mais fácil de viver, e mais atraente para os jovens que lá vivem, infelizmente.

    Sou a favor do exército nas ruas.

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